Flávio Dino, o Alfaiate da Crise
No STF, ministro alinhavou provas, desmontou a narrativa de improviso e mostrou como Bolsonaro usou a máquina pública para tentar implodir a democracia
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 10/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O Brasil amanheceu com um punhal no peito. Punhal Verde-Amarelo — assim batizaram o plano. Não havia Bíblia, nem acaso: decretos prontos, minuta rabiscada, reuniões fechadas e acampamentos armados em frente aos quartéis, esperando um tanque que nunca chegou. Quem jurava rezar pela democracia montava barraca pedindo intervenção militar. Bíblia? Só se fosse para segurar o toldo.
Foi nesse cenário que Flávio Dino costurou seu voto como quem desmonta um paletó caro para mostrar o forro: cada fio, cada remendo, cada nó. Alexandre de Moraes já havia escancarado a espinha do golpe; Dino alinhou os tecidos, aprofundando as costuras. Detalhou sinais de adesão da Marinha, rabiscos presidenciais na minuta, anotações golpistas na caderneta de Augusto Heleno e as reuniões secretas que transformaram o Planalto num escritório paralelo de conspiração.
Narrativa do Improviso
Flávio Dino desfez a narrativa de improviso vendida pela defesa. A versão do “8 de janeiro espontâneo” desabou sob o peso dos autos. O ministro do STF apontou que havia cronogramas, organogramas, mensagens, logística e até ensaios gerais. O caos da invasão pode ter parecido improvisado, mas o roteiro estava pronto — com elenco, cenário e falas marcadas.

E, no meio do peso jurídico, Dino usou uma imagem que atravessou o plenário e caiu no colo do país: disse que, quando o árbitro apita, o jogo acaba, e que não existe prorrogação com as regras mudando depois. Foi um recado direto: democracia não tem replay, nem VAR para revisar placar perdido. Quem perde eleição ganha oposição — não golpe.
Flávio Dino e a costura final
Se Moraes cravou que Jair Bolsonaro era o chefe da organização criminosa, Dino mostrou o método. Expôs como o ex-presidente usou a própria máquina pública para tentar implodir o sistema que o elegeu. Minuta no Planalto, generais à mesa, tanques no cálculo. Não era paranoia; era projeto.
No fim, Flávio Dino não apenas alinhavou toga, quartel e minuta — ele fechou o zíper. O Punhal Verde-Amarelo, criado para cortar a democracia, terminou cravado nos autos como peça de museu golpista.
O Brasil começou o dia com um punhal no peito. O julgamento terminou com a lâmina embotada — e Dino, como bom alfaiate, entregou o corte sob medida.