Flávio critica “perseguição” a Bolsonaro; oposição pede anistia

STF forma maioria para condenar Bolsonaro por envolvimento em tentativa de golpe

Crédito: Lula Marques/Agência Brasil

A recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabeleceu uma maioria para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por crimes relacionados a uma tentativa de golpe, provocou reações acaloradas tanto entre seus apoiadores quanto na oposição política. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) descreveu o julgamento como uma “suprema perseguição“, enquanto a oposição na Câmara dos Deputados emitiu uma nota classificando o processo como essencialmente político e solicitando anistia para o ex-presidente.

A expressão “suprema perseguição” foi rapidamente adotada pelos bolsonaristas nas plataformas digitais, em defesa de Jair Bolsonaro, cuja pena pode ultrapassar 40 anos. Flávio Bolsonaro, um dos principais defensores do pai na esfera política desde a imposição da prisão domiciliar em 4 de agosto, expressou suas críticas através da rede social X, onde declarou: “A pretexto de defender a democracia, os pilares da democracia foram quebrados para condenar um inocente que ousou não se curvar a um ditador chamado Alexandre de Moraes”, referindo-se ao ministro relator do caso no STF.

Após a formação da maioria na corte, Flávio passou o dia no Senado e posteriormente se dirigiu à residência do pai, localizada no Jardim Botânico, em Brasília. Ele também criticou o que considera uma injustiça no julgamento: “Chamam de julgamento um processo que todos já sabiam o resultado antes mesmo de ele começar. Não pelo que viria a ser produzido nos autos, mas por quem iria julgar. A isso chamam de defesa da democracia. Não, isso é defesa da supremacia“, acrescentou.

Parlamentares e simpatizantes de Jair Bolsonaro têm utilizado as redes sociais para compartilhar mensagens de apoio, incluindo imagens com a frase “querem matar Bolsonaro“. O ex-presidente, por sua vez, insinuou em declarações anteriores que poderia morrer caso fosse encarcerado, dada sua condição de saúde.

Essa narrativa é sustentada por seus aliados. Na semana passada, Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do PP e senador, afirmou que uma eventual prisão pelo STF indicaria uma tentativa deliberada de “matar o Bolsonaro”.

O líder da oposição na Câmara, Zucco (PL-RS), também criticou abertamente o julgamento, ressaltando-o como uma manobra política em nota divulgada logo após a decisão do STF. Ele elogiou a posição divergente do ministro Luiz Fux, que foi o único até aquele momento a isentar Bolsonaro de qualquer crime durante o julgamento.

Estando presente no plenário da Primeira Turma em Brasília durante o julgamento, Zucco conversou com jornalistas sobre as implicações da decisão e enfatizou que essa condenação fortalecerá os esforços para promover a anistia aos condenados durante os eventos de 8 de janeiro no Congresso Nacional. “Isso só nos fortalece. Estamos trabalhando a pauta da anistia com muita tranquilidade e firmeza em diálogos com líderes de outros partidos”, declarou.

Embora a maioria já esteja definida no STF, a confirmação da condenação só ocorrerá após o último voto dos ministros; até esse momento, ainda há possibilidade – embora improvável – de mudança na posição dos magistrados.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 11/09/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo