Flávio diz que vai manter fim da escala 6x1 e quer só um mandato
Em entrevista à TV Globo, candidato do PL afirmou que respeitará o fim da escala 6x1, defendeu medidas de ajuste fiscal e comentou investigações contra aliados.
- Publicado: 17/10/2026 08:55
- Alterado: 17/10/2026 08:55
- Autor: Thiago Antunes
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirmou nesta sexta-feira (16) que pretende respeitar o fim da escala de trabalho 6×1, aprovado pelo Senado nesta semana. Em entrevista à TV Globo, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, ele também disse que deseja exercer apenas um mandato presidencial, caso seja eleito, e comentou investigações envolvendo políticos aliados no Rio de Janeiro.
Ao longo da conversa, Flávio apresentou propostas para as contas públicas, defendeu a ampliação do acesso a armas de fogo e criticou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O candidato também foi questionado sobre o financiamento do filme Dark Horse, a participação de familiares em um eventual governo e os atos de 8 de janeiro de 2023.
Flávio Bolsonaro promete respeitar o fim da escala 6×1

Flávio afirmou que mudou de posição sobre o fim da escala 6×1 depois de ouvir trabalhadores durante viagens pelo Brasil. Antes, o senador havia criticado a proposta, classificando-a como eleitoreira e oportunista.
Segundo o candidato, a decisão de votar a favor da medida no Senado ocorreu após perceber que a maioria dos trabalhadores com quem conversou apoiava a mudança.
Apesar de defender a redução da jornada, Flávio Bolsonaro argumentou que a medida, isoladamente, não resolverá problemas como a perda do poder de compra e a insegurança pública.
O senador também afirmou que respeitará a decisão do Congresso e não pretende questionar os direitos trabalhistas previstos na proposta aprovada.
Candidato propõe corte de ministérios e ajuste fiscal
Na área econômica, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende promover um ajuste fiscal de R$ 200 bilhões sem acabar com o aumento real do salário mínimo nem desvincular as aposentadorias do piso nacional.
O candidato também negou que pretenda eliminar os investimentos mínimos constitucionais em saúde e educação.
Entre as medidas apresentadas para equilibrar as contas públicas, ele citou:
- Redução de pelo menos dez ministérios;
- Venda de imóveis pertencentes ao governo federal;
- Combate à corrupção e à má gestão em empresas estatais;
- Securitização de dívidas que a União tem a receber;
- Exploração de petróleo na Margem Equatorial.
Flávio afirmou que a securitização de parte dos quase R$ 3 trilhões em dívidas a receber pela União poderia gerar mais de R$ 200 bilhões em receitas anuais. A entrevista não apresentou detalhes adicionais sobre como as medidas seriam implementadas.
Flávio Bolsonaro defende impeachment de Alexandre de Moraes

Ao tratar de uma eventual reforma do Judiciário, o candidato defendeu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF, sob a alegação de que ele teria adotado uma atuação político-partidária e perseguido adversários políticos.
Flávio Bolsonaro também afirmou que o ministro Kassio Nunes Marques deveria ser investigado diante de suspeitas de ligação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O senador defendeu que todos estejam sujeitos à lei.
As declarações foram apresentadas pelo candidato durante a entrevista, sem que a conversa, conforme o relato fornecido, estabelecesse comprovação das acusações.
Candidato diz que não pretende dar cargo ao pai
Questionado sobre a possibilidade de Jair Bolsonaro participar de um eventual governo, Flávio afirmou que não conversou com o pai sobre o assunto e que a hipótese de nomeá-lo para um cargo “não está no radar”.
O candidato também disse que não pretende nomear o irmão Eduardo Bolsonaro para o Ministério das Relações Exteriores.
Sobre a reeleição presidencial, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende cumprir apenas um mandato, mesmo que o Congresso não aprove uma mudança no tempo de duração do mandato. Ele defendeu uma proposta para acabar com a possibilidade de reeleição, mas deixou a definição sobre a duração do mandato a cargo do Legislativo.
O senador também declarou que não apoiaria alterações nas regras para facilitar a candidatura de parentes à sua eventual sucessão.
Caso Master e financiamento de Dark Horse

Durante a entrevista, Renata Lo Prete questionou Flávio sobre o financiamento do filme Dark Horse e o pedido de R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro, embora o custo da produção tenha sido informado pela produtora Go UP Entertainment como R$ 75 milhões.
Flávio Bolsonaro afirmou que procurou diferentes investidores e que Vorcaro aceitou participar do financiamento. Sobre os recursos, declarou que “o contrato não foi cumprido” e disse que a produção foi concluída com aportes do ex-banqueiro e de outros investidores.
O candidato também afirmou que a produtora prestou contas dos gastos e negou ter oferecido contrapartidas relacionadas ao cargo de senador em troca do financiamento.
Segundo o texto original, Flávio é investigado em um inquérito da Polícia Federal que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas relacionadas ao financiamento do filme.
Candidato comenta investigações contra aliados no Rio
Flávio Bolsonaro afirmou ter ficado surpreso com investigações e prisões envolvendo políticos aliados no Rio de Janeiro. Entre os casos mencionados estão os de Márcio Canella (União Brasil), Rodrigo Bacellar (União Brasil) e Cláudio Castro (PL).
Canella e Bacellar foram citados no contexto de suspeitas de ligação com a milícia e o Comando Vermelho, respectivamente. Castro, por sua vez, foi mencionado em razão de sua condenação pela Justiça Eleitoral e da inelegibilidade por abuso de poder.
O candidato declarou que os investigados têm direito à defesa, mas afirmou que pessoas que tenham cometido irregularidades devem responder por seus atos.
Flávio questiona classificação dos atos de 8 de janeiro

Sobre os ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023, Flávio Bolsonaro defendeu punições proporcionais aos crimes cometidos. Ele reconheceu que depredar patrimônio público e agredir policiais é inaceitável, mas questionou a caracterização dos atos como tentativa de golpe de Estado.
Perguntado se respeitará o resultado das urnas caso perca a eleição, o senador afirmou que disputará o pleito conforme as regras vigentes e que aceitará o resultado.
Na segurança pública, o candidato defendeu ampliar o acesso da população civil a armas de fogo e criticou o Estatuto do Desarmamento. Também propôs mobilizar as Forças Armadas e as polícias estaduais para combater o narcotráfico.
Propostas para a saúde pública
Na área da saúde, Flávio Bolsonaro afirmou que daria autonomia ao ministro que eventualmente escolher para conduzir medidas em situações de emergência sanitária.
O candidato também citou a intenção de ampliar o uso da telemedicina no Sistema Único de Saúde (SUS), implementar um prontuário eletrônico único e aproveitar práticas do Hospital Israelita Albert Einstein.
A proposta foi discutida após uma pergunta sobre o médico Cláudio Lottenberg, cotado para assumir o Ministério da Saúde em um eventual governo.
Lula foi entrevistado na quinta-feira
O presidente Lula (PT), que também disputa a Presidência, participou da série de entrevistas da TV Globo na quinta-feira (15). A ordem das conversas com os candidatos foi definida por sorteio com representantes das campanhas.
O último debate presidencial do segundo turno está previsto para 23 de outubro, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação do jornalista César Tralli e terá a presença de Lula e Flávio Bolsonaro.