Flávio Bolsonaro articula aliança com mercado e Marçal
Senador busca ex-ministros e investidores para viabilizar candidatura ao Planalto e reduzir rejeição com discurso moderado.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 28/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A corrida presidencial de 2026 já movimenta os bastidores de Brasília com novas estratégias. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) iniciou uma ofensiva para garantir o apoio de ex-ministros da gestão anterior, líderes partidários e nomes influentes do mercado financeiro.
Em meio a incertezas geradas por alas do centrão, o parlamentar tenta blindar sua imagem e apresentar argumentos técnicos para contornar a rejeição eleitoral. A meta é clara: montar uma equipe de notável competência técnica, evitando o isolamento político.
Estratégia para superar a desconfiança
Aliados próximos avaliam que o ex-presidente Jair Bolsonaro cometeu erros ao se cercar de colaboradores com pouca vivência política. Para não repetir o roteiro, Flávio Bolsonaro tem priorizado a aproximação com figuras que tragam credibilidade imediata ao seu projeto de poder.
A agenda do senador prevê uma intensificação de viagens pelo país a partir de fevereiro. O foco geográfico é cirúrgico:
- Minas Gerais: Estado decisivo em eleições nacionais.
- São Paulo: Onde o senador precisa recuperar votos perdidos para Lula no último pleito.
Apesar do planejamento nacional, a prioridade atual de Flávio Bolsonaro é conquistar a Faria Lima. O mercado financeiro, no entanto, ainda demonstra preferência pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A ponte com investidores e Pablo Marçal
Para furar a bolha de resistência no setor econômico, o senador conta com a articulação de Filipe Sabará, ex-secretário municipal da gestão Doria. Sabará foi o responsável por organizar encontros estratégicos na capital paulista, incluindo reuniões com membros do banco suíço UBS e um jantar na casa de Gabriel Rocha Kanner.
Além da conexão financeira, Sabará foi o elo para uma aliança inesperada. Ele intermediou a aproximação entre o parlamentar e o influenciador Pablo Marçal (PRTB). Após conversas reservadas, Marçal sinalizou que deve auxiliar ativamente na comunicação digital da pré-campanha de Flávio Bolsonaro.
Essa movimentação visa mitigar a percepção negativa que o mercado ainda possui. Um interlocutor do senador admite que, embora a elite financeira seja numericamente pequena, sua influência na formação de opinião pública é devastadora.
Flávio Bolsonaro mira equipe econômica de Guedes
Tentando se vender como um “Bolsonaro moderado”, o pré-candidato tem mantido diálogos constantes com a antiga equipe econômica do governo do pai. A promessa é manter a cartilha liberal, com foco em:
- Redução de impostos.
- Rigoroso controle fiscal.
- Diálogo institucional (inclusive com o STF).
Para validar esse discurso, Flávio Bolsonaro busca o aval de nomes de peso:
- Paulo Guedes (Ex-ministro da Economia).
- Adolfo Sachsida (Ex-ministro de Minas e Energia).
- Gustavo Montezano (Ex-presidente do BNDES).
“A rejeição associada a ele é mais reflexo da imagem do pai. O mercado vê nele potencial para seguir com as propostas econômicas desejadas”, analisa Filipe Sabará.
Desafios partidários e estrutura de campanha
Embora tenha garantido o apoio da cúpula do PL — especificamente de Valdemar Costa Neto e do secretário-geral Rogério Marinho —, a situação é complexa em outras legendas. Partidos como PP e União Brasil não demonstram o mesmo entusiasmo com o projeto.
Rogério Marinho, também ex-ministro, tem sido uma peça-chave na articulação política. Segundo declarações de Flávio Bolsonaro à imprensa, a inteligência e a competência de Marinho são fundamentais para enfrentar os desafios que virão.
Outro obstáculo é o marketing. Duda Lima, marqueteiro histórico do PL, já avisou que não participará das campanhas de 2026, deixando uma lacuna estratégica que precisará ser preenchida rapidamente.
Independentemente dos percalços, a pré-campanha segue ativa. O objetivo final é provar aos eleitores e ao establishment que Flávio Bolsonaro é a alternativa viável e madura para enfrentar a esquerda nas urnas.