Firefly Aerospace realiza pouso suave na Lua com módulo Blue Ghost
Empresa texana se torna a segunda a alcançar o feito, enquanto continua a disputa espacial entre EUA e China.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 02/03/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
No início da manhã deste domingo (2), a empresa texana Firefly Aerospace fez história ao se tornar a segunda companhia a realizar um pouso suave na superfície lunar, utilizando seu módulo robótico denominado Blue Ghost.
A missão, intitulada “Ghost Riders in the Sky“, culminou em um emocionante momento após uma manobra de descida que durou aproximadamente uma hora. A espaçonave finalmente aterrissou no Mare Crisium, uma das bacias lunares localizadas no hemisfério visível da Terra, com sucesso registrado às 5h34, horário de Brasília.
Financiada pelo programa de transporte comercial lunar da NASA, que remunera empresas do setor espacial para realizar entregas na Lua, a missão teve um custo total estimado em US$ 101,5 milhões e transportou dez instrumentos científicos.
Dentre os equipamentos embarcados, destaca-se o LuGRE, um receptor de sinais de GPS desenvolvido em colaboração entre a NASA e a Agência Espacial Italiana (ISA). Este dispositivo já demonstrou resultados significativos durante a jornada, evidenciando a capacidade de sintonizar sinais de satélites de navegação global. O próximo passo é testar sua funcionalidade diretamente na superfície lunar.
Outro experimento notável é o RadPC, um computador resistente à radiação criado pela Universidade Estadual de Montana. Ele funcionou adequadamente durante a travessia pelos cinturões de Van Allen e terá a oportunidade de operar sob as condições mais severas do ambiente lunar.
Existem também cargas úteis que requerem ativação no solo lunar para que possam apresentar seus resultados. Um exemplo é o LPV, uma tecnologia desenvolvida para coletar e transferir solo lunar de maneira eficiente para outros instrumentos ou contêineres destinados ao retorno de amostras.
Além disso, o telescópio Lexi, especializado em raios-X heliosféricos, foi parcialmente testado durante o trajeto, mas suas observações científicas efetivas ocorrerão apenas na superfície da Lua. O sistema Scalpss, projetado para capturar imagens estereoscópicas durante a descida e pouso do módulo, também teve seu funcionamento avaliado durante a viagem; no entanto, as imagens capturadas serão processadas nos dias subsequentes ao pouso.
A expectativa é que o Blue Ghost opere por cerca de duas semanas na superfície lunar, durante o dia lunar. No entanto, como muitas missões lunares de baixo custo, não se espera que ele sobreviva à noite lunar devido às temperaturas extremas que podem cair até -170 graus Celsius.
Este sucesso segue um padrão semelhante ao alcançado pela Intuitive Machines no ano anterior com seu módulo Odysseus. Até agora, das três missões lançadas no programa comercial lunar da NASA, duas foram bem-sucedidas, resultando em uma taxa de sucesso de 66%. A Intuitive Machines está programada para tentar outro pouso com seu módulo Athena na próxima quinta-feira (6).
O esforço contínuo para lançar missões robóticas frequentes à Lua está inserido em um contexto geopolítico mais amplo entre os Estados Unidos e a China. Enquanto os americanos planejam realizar sua primeira alunissagem tripulada até 2027 no âmbito do programa Artemis, os chineses se mantêm firmes em seu objetivo de concretizar o primeiro pouso humano na Lua em 2029.