Fio Cruz e Museu do Amanhã se juntam para levar mulheres a inovação

Programas da Fio Cruz e Museu do Amanhã combatem sub-representação feminina em áreas de STEM no Rio.

Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Apesar dos avanços, a sub-representação feminina em ciência e tecnologia segue sendo um desafio global. No Rio de Janeiro, no entanto, três iniciativas de peso estão focadas em mudar essa realidade, abrindo caminhos para que meninas e mulheres assumam o protagonismo na inovação.

Os destaques são o HackGirls, desenvolvido pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/ Fio Cruz), e os programas Mulheres na Ciência e Tecnologia e Meninas de 10 Anos, ambos do Museu do Amanhã.

Esses projetos partem de uma premissa fundamental: a presença feminina na ciência gera soluções mais empáticas, inclusivas e transformadoras para os desafios complexos da sociedade.

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O Desafio da Equidade em STEM no Brasil

As iniciativas cariocas estão alinhadas com as metas de equidade de gênero da ONU (ODS). O cenário nacional, mapeado pelo Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (RASEAM 2025), mostra a urgência da ação: embora as mulheres sejam maioria no ensino superior (representando 59,7% das ingressantes e 60,8% das concluintes em 2022), as áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) ainda são amplamente dominadas por homens.

Essa lacuna impacta diretamente a capacidade de resposta da sociedade, especialmente em territórios vulneráveis. O Censo 2022 (IBGE) revelou que 49,1% dos domicílios brasileiros são chefiados por mulheres, número que tende a ser maior em regiões periféricas.

“Pesquisas do IBGE mostram que, no Rio de Janeiro, a maioria das mulheres que vivem em territórios vulneráveis são chefes de família e responsáveis pela renda. Quando essas jovens têm acesso à ciência, tecnologia e empreendedorismo, passam a criar soluções mais inclusivas e empáticas, capazes de enfrentar seus próprios desafios e, ao mesmo tempo, reduzir desigualdades sociais”, afirma Klena Sarges, pesquisadora titular em Saúde Pública e coordenadora do HackGirls, da Fio Cruz.

HackGirls: A Maratona Tecnológica da Fio cruz

O HackGirls é uma das principais frentes de atuação da Fio Cruz nesse campo. Trata-se de uma maratona tecnológica intensiva, realizada com alunas do ensino médio público do Rio de Janeiro.

Durante a imersão, as participantes aprendem a desenvolver protótipos e soluções digitais desenhadas para resolver problemas de saúde enfrentados por mulheres. O processo combina oficinas práticas, mentorias especializadas e debates sobre cidadania digital, ciência e inovação.

Na edição de 2025, destacaram-se projetos como:

  • “Saberes Encantados”: Um aplicativo com banco de questões gamificadas em português e matemática, além de teste vocacional e acompanhamento psicológico.
  • “Entre Laços”: Focado em videoaulas de matemática para normalistas, promovendo acolhimento.
  • “e-Juma”: Utiliza gamificação, recompensas e trilhas personalizadas de estudo, além de organização de agenda.

Na edição anterior, o grande vencedor foi o projeto “Abayomi”. O aplicativo, atualmente em fase final de desenvolvimento, tem como objetivo ajudar jovens de comunidades a acessar a universidade, oferecendo agendas de planejamento, dicas de sites de estudo e organização de matérias.

Museu do Amanhã: Formando Novas Gerações

Complementando os esforços da Fio Cruz, o Museu do Amanhã atua com dois programas estratégicos.

O Mulheres na Ciência e Tecnologia é um programa de formação que valoriza trajetórias femininas nas ciências, estimulando a inserção de mulheres em setores ainda predominantemente masculinos. Ele promove palestras, oficinas e encontros com pesquisadoras renomadas, ampliando o repertório de referências femininas em ciência.

Fio Cruz e Museu do Amanhã se juntam para levar mulheres a inovação
Fernando Frazão/Agência Brasil

Entre os protótipos notáveis que surgiram do programa estão absorventes biodegradáveis, um aplicativo de idiomas indígenas, um ecomuseu baseado em um trecho degradado de Mata Atlântica, órteses personalizadas para reabilitação de mulheres pós-AVC e próteses mamárias customizadas.

Já o programa Meninas de 10 Anos foca no ensino fundamental. A iniciativa convida alunas a pensar o futuro abordando temas como meio ambiente, inteligência artificial e sustentabilidade. O projeto aposta no encantamento e na curiosidade científica como ferramentas para o despertar de novas vocações desde cedo.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 28/10/2025
  • Fonte: Sorria!,