Fim de ano concentra estresse e exige atenção à saúde mental

Pressões profissionais, cobranças pessoais e demandas familiares se acumulam e ampliam quadros de ansiedade neste período

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O encerramento do calendário costuma ser um dos períodos de maior tensão emocional para a população. A concentração de cobranças em poucas semanas transforma o fim do ano em um terreno fértil para o aumento do estresse e da ansiedade. Avaliações de desempenho, metas não alcançadas, excesso de trabalho e expectativas familiares se sobrepõem, criando um cenário de desgaste psicológico intenso.

Segundo Welder Vicente, professor de psicologia e supervisor da Faseh, esse período funciona como um marco simbólico que intensifica a autocrítica. O fechamento do ano desperta comparações internas, sentimentos de inadequação e, em alguns casos, a percepção de fracasso pessoal. Esse impacto é ampliado pela cultura de urgência nas empresas e pelas pressões sociais e financeiras associadas às festas.

Metas, família e dinheiro ampliam a sobrecarga emocional

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Um dos principais gatilhos emocionais do fim do ano está na leitura que muitas pessoas fazem de suas próprias metas. Objetivos não cumpridos tendem a ser interpretados como falhas individuais, o que fragiliza a autoestima e aumenta o risco de sofrimento psíquico. Reavaliar expectativas, considerando o contexto real vivido ao longo do ano, é um passo importante para reduzir esse peso interno.

As relações familiares também ganham centralidade de estresse nesse período. Reencontros afetivos podem reativar conflitos antigos, cobranças e tensões mal resolvidas. Estabelecer limites claros, respeitar o próprio espaço emocional e compreender que nem todas as demandas precisam ser atendidas são atitudes essenciais para preservar o equilíbrio.

No campo financeiro, o impacto é igualmente relevante. Gastos com presentes, viagens e despesas concentradas no início do ano seguinte geram estresse, insegurança e sensação de perda de controle. Um planejamento financeiro realista, alinhado às possibilidades individuais, ajuda a reduzir a ansiedade associada ao consumo e às comparações sociais.

Quando o estresse deixa de ser normal

O estresse deixa de ser uma resposta adaptativa quando passa a comprometer o funcionamento cotidiano. Sintomas físicos recorrentes sem causa aparente, irritabilidade constante, alterações de humor e aumento no consumo de álcool ou outras substâncias são sinais de alerta. Nessas situações, o organismo já não consegue regular sozinho as tensões acumuladas.

Outro fator crítico e pontual para o estresse é a negligência do autocuidado básico. A agenda cheia de compromissos sociais e profissionais frequentemente afeta o sono, a alimentação e a prática de atividades físicas. Manter uma rotina mínima de descanso, movimento e nutrição é um dos pilares para a regulação emocional e para a prevenção do esgotamento.

Estratégias de regulação e busca por apoio

Estresse - Rede de Apoio
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Práticas de regulação emocional ganham importância nesse período. Exercícios de respiração, atenção plena e momentos de pausa ajudam a acalmar o sistema nervoso e a reduzir crises de ansiedade. Essas ferramentas não eliminam os problemas, mas fortalecem a capacidade de enfrentamento diante da sobrecarga emocional.

Quando o sentimento de esgotamento se torna persistente, acompanhado de desesperança ou pensamentos de morte, a busca por ajuda especializada deixa de ser opcional. A psicoterapia oferece um espaço seguro para elaborar essas vivências e reorganizar a forma de lidar com as pressões. Em situações de risco iminente, o acionamento de serviços de urgência é indispensável.

Para especialistas, a principal mensagem do fim de ano é clara. O calendário não precisa ser um gatilho para adoecer. Encerrar um ciclo não exige perfeição, mas presença, cuidado consigo mesmo e limites saudáveis para proteger a própria saúde mental.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 25/12/2025
  • Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA