Fim da escala 6×1 aumenta produtividade e dignidade, diz Boulos
Ministro reforça urgência da mudança para 40h semanais e apresenta dados que comprovam ganho econômico.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 21/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O fim da escala 6×1 é tratado como prioridade absoluta na agenda do governo para 2026 e deve avançar no Congresso ainda neste semestre. A confirmação veio do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, durante entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro” nesta quarta-feira (21). Segundo ele, a revisão da jornada não apenas devolve dignidade ao trabalhador, mas também impulsiona resultados corporativos.
A articulação política já começou. Boulos reuniu-se recentemente com Hugo Motta, presidente da Câmara, e Luiz Marinho, ministro do Trabalho, para acelerar a pauta. O objetivo é substituir o modelo atual — que permite apenas um dia de folga — por uma jornada máxima de 40 horas semanais (escala 5×2), sem redução salarial. Para o governo, o fim da escala 6×1 representa uma correção histórica necessária.
Fim da escala 6×1 gera lucro real às empresas
Uma das maiores resistências do setor empresarial envolve o temor pela queda de rendimento. Boulos, no entanto, desmontou essa tese com dados estatísticos. A implementação do fim da escala 6×1 em outros países demonstrou que trabalhadores descansados produzem mais e melhor.
O ministro citou exemplos internacionais contundentes de redução de jornada:
- Islândia (2023): Após reduzir a carga para 35 horas semanais, a economia cresceu 5% e a produtividade subiu 1,5%.
- Estados Unidos: Houve redução média de 35 minutos diários de trabalho nos últimos três anos, gerando aumento de 2% na produtividade.
- Japão (Microsoft): A adoção da semana de 4 dias elevou a produtividade individual em 40%.
No cenário doméstico, os números também favorecem a mudança. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), realizado em 2024 com 19 empresas brasileiras, revelou que 72% delas aumentaram a receita após reduzir a jornada. Além disso, 44% notaram melhora no cumprimento de prazos. Esses dados reforçam que o fim da escala 6×1 é economicamente viável.
Viver para trabalhar ou trabalhar para viver?
Além dos indicadores econômicos, a discussão central aborda a exaustão física e mental da força de trabalho. O modelo atual limita drasticamente o convívio familiar e as oportunidades de qualificação profissional. Boulos foi enfático ao criticar a lógica de “viver para trabalhar”, defendendo que o tempo livre é essencial para que o cidadão possa estudar e, consequentemente, entregar mais valor à empresa.
“Qualquer um se coloque na pele dessas pessoas: se você tem um tempo de descanso maior, vai trabalhar melhor. O que a gente sustenta, baseado em dados e não em blá blá blá, é que a mudança vai melhorar o desempenho.”
A proposta em desenho pelo Governo Federal abrange todos os setores da economia. A expectativa é que, com o apoio popular e os dados apresentados, o Legislativo aprove a medida rapidamente. Concretizar o fim da escala 6×1 será, segundo o ministro, um marco de civilidade e eficiência para o mercado de trabalho brasileiro.