Fim da escala 6x1 pode elevar produtividade das empresas

Em meio ao debate sobre o fim da escala 6x1 no Congresso, estudo da UTFPR aponta que mais descanso pode estimular a eficiência das equipes

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Enquanto o Congresso discute mudanças na escala 6×1, estudos começam a medir os impactos que uma eventual redução da jornada de trabalho pode trazer para empresas e trabalhadores. Uma pesquisa da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) concluiu que diminuir as horas trabalhadas e ampliar o tempo de descanso pode aumentar a produtividade ao estimular a criatividade das equipes.

A pesquisa começou com a análise de 1.004 artigos científicos publicados em diferentes países. Após os filtros metodológicos, 101 estudos serviram de base para o modelo desenvolvido pelo pesquisador.

O debate ocorre em um momento de impasse no Congresso. Enquanto uma proposta busca extinguir a escala 6×1, outra defende ampliar a liberdade para que jornadas e escalas sejam negociadas entre empresas e trabalhadores. Hoje, cerca de 14,8 milhões de brasileiros contratados pelo regime CLT trabalham no modelo 6×1, o equivalente a aproximadamente um terço da população ocupada do país, segundo dados do Ministério do Trabalho.

As conclusões da UTFPR não são isoladas. Um estudo do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), estima que a substituição da escala 6×1 por jornadas de até 36 horas semanais poderia criar entre 4 milhões e 4,5 milhões de empregos formais no país. O levantamento também projeta um aumento de cerca de 4,5% na produtividade, desde que as empresas reorganizem processos e adotem medidas para elevar a eficiência.

1° de Maio - Dia do Trabalhador - Dia do Trabalho - CLT - Emprego escala 6x1
(Arquivo/Agência Brasília)

Para Barros, empresas dependem cada vez menos do tempo que o funcionário permanece no posto de trabalho e mais da capacidade de criar soluções para problemas complexos.

“A inovação não nasce da repetição contínua de tarefas, mas da capacidade de construir novas conexões cognitivas e produzir soluções originais”, afirma.

Na avaliação do pesquisador, jornadas prolongadas dificultam justamente esse processo. Segundo ele, o estresse contínuo aumenta a produção de cortisol, hormônio que interfere em funções cognitivas ligadas ao planejamento, à memória e ao aprendizado. 

Ele também afirma que empresas que conseguiram reduzir a jornada com bons resultados promoveram mudanças na organização do trabalho, eliminaram reuniões desnecessárias e criaram períodos dedicados às atividades que exigem maior concentração.

Os ganhos de produtividade, porém, não são consenso. Pesquisadores da FGV Ibre alertam que reduzir a jornada sem aumentar a eficiência pode elevar em até 22% o custo da hora trabalhada. O estudo também lembra que a produtividade da economia brasileira ficou praticamente estagnada entre 2012 e 2024.

O setor produtivo defende que eventuais alterações preservem a flexibilidade das relações de trabalho. Em nota ao ABC do ABC, o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) afirmou que a PEC 12/2026 representa uma alternativa ao fim da escala 6×1.

Ciesp empregabilidade. escala 6x1
Ciesp

“A nova proposição é uma alternativa equilibrada à PEC de extinção da jornada 6×1. Trata-se de ampliar a liberdade das pessoas para escolherem o modelo de jornada que mais se adapte às suas vidas e oportunidades de mercado”, declarou o presidente do Ciesp e primeiro vice-presidente da Fiesp, Rafael Cervone.

A advogada trabalhista Glauce Fonçatti, sócia do escritório Batistute Advogados, avalia que mudanças na jornada podem trazer ganhos de eficiência, desde que sejam implementadas de forma gradual e respeitem as características de cada setor.

“Jornadas mais equilibradas podem gerar ganhos de eficiência e redução de custos indiretos, como turnover e absenteísmo, desde que implementadas com previsibilidade, negociação coletiva e respeito à autonomia do empregador. A preocupação central não é a redução da jornada em si, mas a preservação da capacidade de organização produtiva das empresas.”

O debate ainda está longe de um consenso no Senado. Se alguma das propostas avançar, cerca de 14,8 milhões de trabalhadores que hoje cumprem jornada na escala 6×1 poderão ser diretamente afetados.

  • Publicado: 05/08/2026 15:03
  • Alterado: 05/08/2026 15:03
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: ABC do ABC