Filme "Zoya" de Larissa Dardania É Destaque em Festival Internacional
O curta já teve sua estreia no Panorama Internacional Coisa de Cinema, realizado na Bahia no início deste mês
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 27/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Um dos principais marcos da produção do curta-metragem “Zoya” foi o encontro com a jovem atriz Sophia Souza, que assume o papel da protagonista. A talentosa atriz foi descoberta durante testes de elenco realizados em uma escola pública de Uberlândia, um testemunho do potencial artístico presente nas comunidades locais.
Inspirado por experiências pessoais da roteirista Larissa Dardania, o filme é uma reflexão sobre a infância e o luto, tema que Dardania vivenciou na sua juventude. A cineasta, agora residente de Uberlândia, está levando sua obra ao renomado Festival Internacional de Curtas, que ocorrerá entre os dias 23 e 30 de abril no Rio de Janeiro.
Financiada por meio da Lei Paulo Gustavo, a produção destaca-se pela diversidade da equipe, composta majoritariamente por mulheres, pessoas negras e integrantes da comunidade LGBT+. Em palavras da própria diretora, “Fazer cinema exige investimento. Equipamentos, pessoal e locações são dispendiosos. A Lei Paulo Gustavo foi crucial para a realização de “Zoya”.” Essa iniciativa não apenas garante a viabilidade financeira do projeto, mas também promove a diversidade e enriquece a produção cultural.
O curta já teve sua estreia no Panorama Internacional Coisa de Cinema, realizado na Bahia no início deste mês, e se prepara agora para participar do festival Curta Cinema, onde competirá na categoria de melhor curta-metragem.
A narrativa de Zoya utiliza a perspectiva infantil como uma lente para abordar o conceito da morte. A protagonista, uma menina de 10 anos, enfrenta o luto pela perda de seu cachorro. A busca por respostas para essa experiência dolorosa revela-se insuficiente, refletindo o vazio que permeia a vida após a morte. Em uma das cenas mais impactantes, Zoya observa o céu em silêncio e posteriormente entra na chamada “zona do nada”, que simboliza as incertezas e os questionamentos relacionados à morte.
A escolha de uma criança como protagonista não foi meramente estética; segundo Dardania, essa decisão abre espaço para explorar simbolismos e situações que podem não ressoar com a visão adulta. Embora o filme seja narrado sob a ótica infantil, as inquietações suscitadas pela trama são universais e tocam pessoas de todas as idades.
A diretora enfatiza que o objetivo do filme não é oferecer respostas definitivas, mas provocar reflexões sobre questões existenciais. Através da narrativa silenciosa e dos gestos sutis, Zoya sugere que talvez o mais importante não seja encontrar sentido para tudo, mas sim aprender a conviver com as perguntas.