Filme Dark Horse entra na mira do STF após delação
Supremo Tribunal Federal homologa acordo que revela esquema de dinheiro vivo e remessas internacionais para produção sobre Jair Bolsonaro
- Publicado: 09/09/2026 21:57
- Alterado: 09/09/2026 21:57
- Autor: Leonardo Nogueira
O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, homologou uma colaboração premiada que escancara um esquema de repasses de dinheiro em espécie e remessas internacionais ligadas à produção cinematográfica sobre o ex-presidente. O Filme Dark Horse enfrenta um novo escrutínio judicial.
O acordo firmado pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, detalha sua atuação como operador financeiro de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master. A delação joga luz sobre os bastidores da captação de recursos. Mineiro confessou organizar remessas milionárias e entregas de altos volumes de dinheiro vivo em malas para atender às demandas de Vorcaro.
Rota financeira do Filme Dark Horse nos EUA
A Polícia Federal foca no fluxo internacional do dinheiro. O delator utilizou sua empresa, a Entre Investimentos e Participações, para enviar cifras ao Havengate Development Fund, sediado nos Estados Unidos.
Esse fundo abastecia o projeto audiovisual. A administração das contas internacionais ficava a cargo de Paulo Calixto, advogado com laços estreitos com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Os investigadores rastreiam se parte desse montante terminou nas mãos de aliados políticos em vez de financiar o filme Dark Horse.
Malas de dinheiro e operações sem lastro
Vorcaro exigia movimentações financeiras à margem do sistema legal. Mineiro relatou que sua função primária era viabilizar operações não ortodoxas, criando liquidez invisível aos radares oficiais.
A mecânica de lavagem e ocultação funcionava em três etapas:
- Vorcaro transferia ativos ou capital para as contas das empresas de Mineiro.
- O empresário contratava intermediários que cobravam 4% de taxa para fornecer as notas físicas.
- As cédulas preenchiam malas, entregues diretamente ao ex-banqueiro.
A Polícia Federal enxerga essa colaboração como o mapa definitivo para rastrear as necessidades de dinheiro em espécie de Vorcaro e mapear pagamentos ilícitos.
Impacto político na campanha do PL
O escândalo atinge a cúpula do partido bolsonarista. O repasse de verbas atrelado ao Filme Dark Horse desgasta a atual campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, que atuou diretamente na articulação financeira do projeto.
O candidato negociou cerca de R$ 134 milhões com Vorcaro para a produção. As autoridades já confirmaram transferências que somam R$ 63,7 milhões. Flávio recusa prestar contas sobre os custos, transferindo a responsabilidade legal exclusivamente para a produtora da obra.
Esta representa a segunda delação da Procuradoria-Geral da República envolvendo as operações do Banco Master. O empresário João Carlos Mansur, ex-dono da gestora Reag, firmou o primeiro acordo, cujo material também está sob análise de Mendonça.
O destino final das malas permanece oculto. Mineiro garantiu desconhecer quem recebia o dinheiro vivo após a entrega a Vorcaro, cabendo agora ao STF conectar os saques ao financiamento obscuro do Filme Dark Horse e seus verdadeiros beneficiários.