Filhos de Bolsonaro criticam Moraes após negar prisão domiciliar

Flávio e Carlos Bolsonaro atacam decisão do STF sobre pedido do ex-presidente

Crédito: Renan Olaz/CMRJ e Lula Marques/Agência Brasil

O cenário político e jurídico brasileiro voltou a se intensificar nesta quinta-feira (1º), quando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), indeferiu o pedido de prisão domiciliar protocolado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão ocorre logo após Bolsonaro receber alta do hospital DF Star, em Brasília, onde esteve internado para procedimentos cirúrgicos relacionados a hérnia e complicações de hipertensão.

Filhos de Bolsonaro criticam decisão de Moraes

Senador Flávio Bolsonaro
Lula Marques/Agência Brasil

A negativa do magistrado gerou reações imediatas nas redes sociais, lideradas pelos filhos do ex-presidente, que classificaram a manutenção das medidas restritivas como “tortura” e “perseguição política“.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizou sua conta na rede social X para questionar a autoridade do ministro, afirmando que a decisão ignora laudos médicos que indicariam necessidade de cuidados permanentes incompatíveis com a custódia na Polícia Federal. Flávio alertou para riscos graves à saúde do pai, incluindo a possibilidade de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Carlos Bolsonaro
Câmara dos Vereadores RJ

O ex-vereador Carlos Bolsonaro também criticou Moraes, sugerindo que há um “complô” institucional e que as determinações violam garantias constitucionais, expondo o ex-presidente a riscos físicos deliberados.

Debate sobre o estado de saúde do ex-presidente

Ex-presidente Jair Bolsonaro
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O impasse jurídico gira em torno da avaliação do quadro clínico de Jair Bolsonaro. A defesa sustenta que a prisão preventiva oferece perigo à vida do ex-presidente devido a picos de hipertensão e crises de soluço persistentes. Por outro lado, o gabinete de Alexandre de Moraes entende que a estrutura hospitalar da própria Polícia Federal ou a rede conveniada é suficiente para garantir a integridade de Bolsonaro.

Segundo a decisão de Moraes, após a alta hospitalar, não há impedimento técnico para o retorno à unidade prisional, já que o quadro foi estabilizado pelos cirurgiões. Bolsonaro passou por intervenções nos dias 27, 29 e 30 de dezembro antes de receber o aval médico para deixar o hospital.

Apoio de aliados e pressão política

Além dos filhos, outros integrantes do Partido Liberal (PL), como o senador Magno Malta (PL-ES), manifestaram apoio à família e criticaram a decisão, classificando-a como “crueldade imposta por Alexandre de Moraes”. O grupo político argumenta que não há risco de fuga ou ameaça à ordem pública que justifique a manutenção da prisão preventiva em regime fechado.

A polarização do tema também reflete o interesse da opinião pública. Pesquisas recentes indicam que a maioria dos brasileiros acompanha atentamente os desdobramentos dos inquéritos no STF. A defesa de Bolsonaro promete recorrer da decisão na próxima sessão da Primeira Turma, buscando reverter o cenário e garantir a possibilidade de prisão domiciliar durante o processo.

O clima entre o Judiciário e o clã Bolsonaro segue tenso, enquanto o país acompanha atentamente os limites do contraditório e a aplicação do império da lei em casos de alta voltagem política.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 02/01/2026
  • Fonte: FERVER