Filho de Renato Russo notifica Novo por música em evento de Zema
Uso de “Que País É Este” em evento de Zema gera notificação do produtor
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 18/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Giuliano Manfredini, produtor cultural e filho do renomado cantor Renato Russo, enviou uma notificação extrajudicial ao partido Novo devido à utilização não autorizada da canção “Que País É Este” durante o evento de lançamento da pré-candidatura do governador Romeu Zema (MG) à presidência da República.
Na notificação, datada de segunda-feira (18), a Legião Urbana Produções, empresa que detém os direitos sobre a obra e é administrada por Manfredini, destacou que houve uma violação dos direitos autorais. O documento solicita que tanto o governador Zema quanto o partido se abstenham de usar a música em futuras publicações, seja no Instagram ou em outras plataformas digitais.
A assessoria de imprensa do partido Novo informou que ainda não havia recebido a notificação, quando foi contatada pela imprensa. O evento em questão ocorreu no sábado (16), na Câmara Americana de Comércio para o Brasil, em São Paulo, onde Zema se apresentou como pré-candidato ao som da famosa canção, que é frequentemente associada a protestos sociais devido às suas letras críticas à política e à corrupção.
Manfredini afirmou que nem Zema nem o partido pediram autorização para usar a música e que tomou conhecimento do caso por meio de reportagens e vídeos compartilhados nas redes sociais. Ele citou uma postagem no Instagram relacionada ao evento como parte da notificação enviada.
Em suas declarações, Manfredini expressou indignação: “Mais uma vez, a extrema direita insulta a obra do meu pai e sua memória, afrontando os direitos autorais”. Ele herdou a produtora após o falecimento de Renato Russo e o fim da banda Legião Urbana em 1996.
O produtor cultural criticou o uso recorrente da música por grupos políticos alinhados à extrema direita, afirmando que tal apropriação não condiz com os valores que ele e seu pai defendiam. “Quem tem feito isso são os mesmos que atentam contra os direitos autorais”, enfatizou.
Zema, alinhado a Jair Bolsonaro (PL), busca captar parte do legado político do ex-presidente, atualmente em prisão domiciliar e inelegível. Durante seu discurso na convenção nacional do Novo, Zema aproveitou para criticar abertamente o governo Lula, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Manfredini reiterou que mesmo se houvesse um pedido formal para uso da música por parte do Novo, ele não concederia autorização. “Temos a mesma posição que meu pai tinha sobre o uso político por parte da extrema direita; isso não faz sentido”, afirmou.
O advogado Leonardo Furtado, representante da produtora, comentou que qualquer utilização da música em eventos públicos ou virtuais deve ser previamente autorizada. “A notificação é abrangente para evitar qualquer uso indevido da composição“, acrescentou.
Esse não é o primeiro episódio em que Manfredini se manifesta contra o uso das músicas de seu pai em contextos políticos. Em janeiro de 2024, ele solicitou à ByteDance, empresa responsável pelo TikTok, a remoção de vídeos bolsonaristas que usavam “Que País É Este” como trilha sonora, argumentando que tais postagens representavam ideologias alheias aos princípios defendidos por Renato Russo e por ele mesmo.
“É desgastante ver candidatos da extrema direita acreditando ter o direito de ignorar as leis e os direitos autorais“, lamentou Manfredini. “Essa situação já persiste há anos e está se tornando cansativa”.