Fhoresp propõe 10 ações e prevê retomada pós-metanol
Entidade sugere Observatório Nacional de Bebidas para combater adulteração e reaquecer o setor afetado.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 23/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A Fhoresp (Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo) apresentou, nesta quinta-feira (22/10), uma análise detalhada sobre a crise gerada pela adulteração de bebidas alcoólicas com metanol. Através de nota técnica, a entidade propõe dez medidas cruciais para coibir práticas criminosas, incluindo a criação do Observatório Nacional do Mercado de Bebidas. Com o avanço das investigações das autoridades e da Polícia Civil, especialmente em São Paulo, a Fhoresp projeta uma retomada no movimento dos estabelecimentos já nas próximas semanas.
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Impacto Econômico e Projeções do Setor
O segmento de Alojamento e Alimentação Fora do Lar, que engloba bares e restaurantes — os mais impactados pela crise do metanol no último mês —, é vital para a economia brasileira. Conforme o Núcleo de Pesquisa e Estatística da Fhoresp, sob a direção do economista Luis Carlos Burbano, a projeção de faturamento para 2025 neste setor no Brasil, mesmo com a leve queda de fluxo, está na casa dos R$ 668 bilhões.
Esse valor representa um crescimento de 7,1% em comparação com 2024, demonstrando a resiliência do segmento apesar dos recentes casos de intoxicação.
A Luta Contra um Problema Estrutural
Edson Pinto, diretor-executivo da Federação, que representa mais de 500 mil estabelecimentos paulistas e 20 sindicatos patronais, destacou que a cooperação entre o setor e o governo paulista, através de fiscalização rigorosa, deve gerar resultados positivos.
“Desde o primeiro momento, a Fhoresp se colocou à disposição do Estado e do mercado e apresentou caminhos para combater as ilegalidades. Não de hoje, sabemos da gravidade e das consequências deste tipo de contaminação, sendo o nosso setor o maior interessado em chegar a uma solução. Na verdade, a adição de metanol é a parte mais visível de um problema estrutural grave. O Brasil tem muito a avançar no controle de bebidas”, reflete Edson.

Observatório Nacional e Rastreabilidade
Entre as dez propostas listadas na nota técnica da Fhoresp para combater as ilegalidades, tanto em destilados quanto em fermentados, está a criação do Observatório Nacional do Mercado de Bebidas.
O órgão seria gerenciado pela própria Fhoresp, em conjunto com a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) e o Ministério do Meio Ambiente e Pecuária, contando ainda com parcerias com o IBGE e universidades. O foco é o acompanhamento contínuo dos indicadores econômicos e sanitários.
A Federação sugere também a instituição de um Sistema Nacional de Rastreabilidade e Controle de Bebidas, além da implementação da logística reversa das garrafas. Esta última medida visa impedir que vasilhames vazios sejam reutilizados na rede de pirataria.
Confiança e Retomada do Consumo
Os casos de adulteração de bebidas impactaram o movimento em bares e casas noturnas em cerca de 26% no estado de São Paulo, entre o final de setembro e o início de outubro. Para a Fhoresp, no entanto, o avanço das investigações da Polícia Civil e a desarticulação dos esquemas de distribuição de produtos adulterados estão restaurando a confiança do consumidor.
“O setor sentiu essa queda. O que é natural. Afinal, as pessoas ficaram com medo de ingerir algo contaminado. Logo, houve quem não foi ao bar ou ao restaurante e, também, teve quem foi, mas trocou o destilado por outro tipo de bebida. De qualquer maneira, a segurança do cliente está voltando. As próximas semanas devem ser melhores em faturamento e já um aquecimento para o verão e o fim do ano, quando há maior incidência de confraternizações”, aposta Edson Pinto.