Festival Path 2025 celebra inovação, diversidade e propósito

Evento em São Paulo reúne vozes que transformam o futuro com criatividade, impacto social e colaboração entre gerações

Crédito: Suzana Rezende / ABCdoABC

O Festival Path 2025 voltou a São Paulo reafirmando seu papel como o maior encontro de inovação, criatividade e impacto social da América Latina. Em sua nova edição, o evento ocupou o Cine Belas Artes, reunindo palestras, painéis, shows, feiras, filmes e experiências que conectam ideias de diferentes áreas, da tecnologia à música, do meio ambiente à economia regenerativa.

“Estamos retomando o Festival Path com uma felicidade enorme. Começamos pioneiros nesse formato no Brasil e na América Latina, reunindo várias ideias e formatos num mesmo lugar”, contou Fábio, diretor e curador do evento.

Segundo ele, o propósito do festival segue o mesmo desde sua criação: “O Path é, essencialmente, um festival de inovação e criatividade com pensamento sustentável e regenerativo. A gente traz a diversidade: nas pessoas, nas falas e nos assuntos. Aqui abraçamos o melhor que existe no Brasil, da economia à cultura, do entretenimento à arquitetura”.

Com mais de 3 mil pessoas circulando pelos dois dias de programação, o festival Path reafirma seu caráter democrático. “O Path sempre foi muito inclusivo. Mesmo na parte paga, a gente doa muitos ingressos e cria atividades gratuitas, como filmes, workshops e shows. Boa informação precisa ser acessível”, destacou Fábio.

Sustentabilidade e o olhar para a COP30

Em um ano marcado pela expectativa da COP30, que será realizada em Belém, o Festival Path trouxe para o coração de São Paulo reflexões sobre o papel do Brasil na agenda ambiental global. “A COP no Brasil é simbólica. O país ainda é uma potência natural, e isso precisa ser visto como uma riqueza do mundo. Muita gente não vai conseguir ir até Belém, então quisemos trazer essa conversa pra cá”, explicou o curador.

Entre os temas mais debatidos no Festival Path estiveram as narrativas climáticas, a economia regenerativa e a cooperação entre setores criativos. A ideia é que inovação e sustentabilidade caminhem juntas — e que o público urbano também possa se conectar com as discussões globais sobre o planeta.

Jogos que educam e regeneram o planeta

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A conexão entre entretenimento e consciência ambiental foi um dos destaques da edição. No painel “Games para um futuro sustentável”, três mulheres mostraram como o lúdico pode inspirar transformações reais: Magda Vila, fundadora da Vila dos Games; Mariana Brecht, escritora e designer de narrativas; e Floriana Breyer, ativista e criadora de experiências imersivas.

“A indústria de games é a mais lucrativa do mundo. Então a pergunta é: como usamos essa potência para o bem?”, provocou Floriana Breyer, que também pesquisa crise climática e narrativas cooperativas.

Para ela, é hora de romper com a clássica “jornada do herói” e apostar em histórias coletivas e cooperativas, que convidem à ação comunitária. “O herói individual já não dá conta da crise climática. Precisamos pensar em heróis coletivos, que cocriem futuros possíveis”, defendeu.

Magda apresentou no Festival Path o game “Sustentabilidade”, criado pela Vila dos Games para o Secoop Santa Catarina, voltado a crianças e adolescentes de 6 a 14 anos

No jogo, os participantes precisam reconstruir uma ilha atingida por um tsunami, equilibrando a fauna, a flora e o desenvolvimento humano.

“É um jogo cooperativo, não competitivo. As crianças aprendem, brincando, o valor do equilíbrio entre os ecossistemas. Elas percebem, por exemplo, que uma rã só pode viver perto da água — e que tudo está conectado”, explicou Magda.

A escritora Mariana Brecht complementou a reflexão destacando o poder das histórias interativas. “Os jogos brasileiros independentes têm narrativas lindas, que alcançam lugares que as histórias não interativas não alcançam. É sobre resgatar o lúdico, reconectar gerações e contar histórias que transformam”, disse.

A força da longevidade no futuro do trabalho

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Outro momento inspirador do Festival Path veio do painel sobre diversidade geracional e inclusão sênior, comandado por Fabíola Florêncio, cofundadora da Labora Tech, startup que conecta profissionais 50+ ao mercado de trabalho.

A empresa tem como missão combater o etarismo e provar que a experiência é um ativo valioso. “Nós acreditamos na potência sênior. O futuro é 50+. Temos uma população que vai viver mais de 100 anos, e quem está com 50 está apenas na metade da jornada”, afirmou Fabíola

A Labora atua em parceria com instituições culturais, como a Casa Museu Ema Klabin, em São Paulo. Lá, profissionais seniores trabalham na recepção e mediação cultural, oferecendo uma experiência acolhedora e educativa ao público.

“Temos uma equipe incrível, com pessoas que vêm de diversas carreiras e trazem repertórios riquíssimos. Elas acolhem, informam, conversam e transformam a visita num momento de troca”, contou uma das coordenadoras da Casa Museu durante o festival.

Fabíola destacou que o impacto vai além da inclusão social. “Nós trazemos resultados reais para as empresas. Em alguns casos, equipes com profissionais seniores melhoram em até 60% o desempenho em vendas. É um ganho humano e econômico”, enfatizou.

Saberes musicais e o poder do encontro

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Suzana Rezende / ABCdoABC

Entre os momentos mais emocionantes da programação, o painel “A música como tecnologia de conexão” reuniu os músicos e educadores Iza Caldeira e Zuza Gonçalves, do projeto Saberes Musicais.

A dupla levou o público do Festival Path a refletir sobre o fazer musical coletivo como ferramenta de escuta, convivência e transformação social.

“Fazer música é estar junto. É se conhecer e se relacionar com o outro”, resumiu Zuza. Já Iza destacou o aspecto universal da prática:

“Música é um elemento essencial do humano. Nosso corpo tem ritmo, frequência e som. Quando nos juntamos para cantar ou batucar, criamos um espaço de pertencimento”.

O músico lembrou que a sociedade moderna transformou a música em produto, esquecendo sua dimensão comunitária. “Aprendemos que música é para poucos, que só quem estuda pode fazer. Mas cantar é como jogar bola, é para todo mundo. Essa crença de que não é nosso acesso é uma mutilação da alma”, afirmou, sob aplausos.

Inspiração e diversidade que movem o futuro

Para Fábio, a essência do Festival Path está justamente nesse cruzamento de ideias, pessoas e propósitos. “O festival é feito de gente. Dos artistas, palestrantes, patrocinadores e da equipe que coloca tudo de pé. É cultura, e cultura no Brasil é sempre uma luta. Mas é isso que nos move”, disse o curador.

Ele define o Festival Path com duas palavras: “inspiração e diversidade”, valores que, mais uma vez, deram o tom das conversas e experiências desta edição. Entre painéis, práticas musicais, jogos, filmes e oficinas, o Festival Path 2025 reafirmou seu compromisso com um futuro mais criativo, inclusivo e regenerativo.

Um caminho coletivo

O nome do festival, como lembrou Fabíola Florêncio, simboliza mais do que um evento. “O Path é um caminho. Um caminho para todos, independentemente da idade, da área ou de quem você é. Um caminho de reinvenção, de se manter produtivo, ativo e feliz com a própria jornada”, resumiu.

E esse caminho, como mostraram as vozes do festival Path, é coletivo, feito de arte, de colaboração e de propósito. Um lembrete de que inovar é, antes de tudo, criar juntos.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 24/10/2025
  • Fonte: Sorria!,