Festival Feira Preta é adiado para 2026
Adiamento do Festival destaca crise de patrocínios e afeta empreendedores negros; evento em Salvador segue em planejamento
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 21/03/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O Festival Feira Preta, reconhecido como o maior evento de cultura e empreendedorismo negro na América Latina, anunciou o adiamento de sua edição programada para este ano, transferindo-a para 2026. A decisão foi tomada em virtude da escassez de patrocinadores essenciais para a realização do projeto.
Originalmente agendado para maio, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, o festival enfrenta dificuldades significativas. A organização apontou que a burocracia interna das grandes empresas está complicando a liberação de recursos financeiros, tornando o processo de captação mais desafiador e demorado.
A idealizadora do festival, Adriana Barbosa, comentou sobre a situação: “Iniciamos a captação de recursos em julho do ano passado, mas até agora conseguimos apenas 40% do necessário. Algumas negociações que estavam encaminhadas não foram concretizadas”.
Adriana também ressaltou a importância da pré-produção, que exige meses de planejamento antes do evento. “O tempo foi passando e os custos começaram a acumular. Chegou um ponto em que não havia mais recursos disponíveis para continuar sem garantias”.
Além disso, a organização sublinha que o adiamento é um reflexo de uma tendência mais ampla: a diminuição dos investimentos corporativos em eventos culturais que promovem a diversidade. Outras iniciativas, como o festival Batekoo, também enfrentaram dificuldades similares no último ano.
Ainda que a edição em São Paulo tenha sido adiada, há planos para realizar um evento em Salvador em novembro. Desde 2017, o Instituto Feira Preta desenvolve iniciativas voltadas ao empreendedorismo negro na capital baiana e mantém a Embaixada Preta Cachoeira no Recôncavo Baiano.
“As negociações que avançaram e não puderam ser concretizadas em São Paulo serão transferidas para Salvador”, afirmou Adriana.
Os empreendedores que já estavam inscritos para participar da edição paulista continuarão passando por um processo de curadoria com vistas à possível inclusão no evento de Salvador. A organização também está buscando alternativas para realizar outros eventos ao longo do ano e criar novas oportunidades de negócios para os expositores.
A Feira Preta entrará em contato com os compradores de ingressos para proceder com o reembolso. Adriana informou que algumas empresas se afastaram da possibilidade de patrocinar o evento em Salvador, levando a equipe a continuar na busca por novos apoiadores.
“É lamentável porque os empreendedores perdem oportunidades de vendas. Muitos deles se preparam intensamente, produzindo grandes quantidades de produtos para o festival. Essa é uma das partes mais dolorosas dessa situação”, desabafou a fundadora do festival.
No último evento realizado, o festival gerou aproximadamente R$ 14 milhões, beneficiando cerca de 170 empreendedores negros e criando cerca de 600 empregos temporários. A programação anterior incluiu apresentações de artistas renomados como Mart’nália, Arlindinho, Leci Brandão, Luedji Luna, Preta Gil e Majur.
Adriana reafirmou o compromisso da organização: “Continuaremos firmes na missão de criar espaços que promovam a visibilidade e o fortalecimento do empreendedorismo negro. Estamos explorando novos modelos de financiamento e parcerias para assegurar a continuidade do festival nos próximos anos”.