Fernando Haddad: “Privatizar o Pix está fora de questão”
Ministro da Fazenda descarta privatização do Pix e critica pressão comercial dos EUA, destacando impacto limitado das tarifas sobre exportações brasileiras
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 05/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Em declarações feitas nesta terça-feira (5), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, desconsiderou a possibilidade de privatização do sistema de pagamentos instantâneos conhecido como Pix. A afirmação ocorreu em meio a um contexto de pressão comercial imposta pelo governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, que inclui a aplicação de tarifas e investigações sobre práticas comerciais brasileiras.
Haddad enfatizou que não se deve cogitar a privatização de uma ferramenta que opera sem custos para os usuários. “Não podemos imaginar privatizar algo que não tem custo. Portanto, pensar que vamos nos intimidar com pressão de multinacionais é improcedente. Temos uma tecnologia gratuita que promove bem-estar para toda a população; isso está completamente fora de cogitação”, afirmou.
O sistema Pix se tornou um dos focos da investigação comercial conduzida pelo USTR (United States Trade Representative), o escritório responsável pela representação comercial dos EUA. O órgão americano argumenta que o Pix pode ser visto como uma prática desleal frente aos serviços tradicionais de pagamentos eletrônicos.

O presidente Lula também expressou seu apoio ao sistema, classificando-o como um patrimônio nacional e um exemplo de referência internacional durante seu discurso na reunião plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável.
Além disso, Haddad comentou sobre as repercussões das tarifas impostas pelos EUA sobre as exportações brasileiras, assegurando que os efeitos se restringem a uma fração das vendas destinadas ao mercado norte-americano. Ele detalhou que, embora as exportações para os EUA tenham representado 25% do total no passado, hoje essa participação é de 12%, dos quais cerca de 4% estão sob impacto das novas tarifas. O ministro tranquilizou que mais de 2% dessas exportações são commodities que rapidamente encontrarão novos destinos no mercado.
“Estamos vigilantes. Mesmo que o impacto aparente seja apenas de 1,5% ou 2%, não baixaremos a guarda. Reconhecemos que setores vulneráveis podem ser afetados; esses setores são importantes para a geração de empregos e requerem nossa atenção especial”, concluiu Haddad.