Férias escolares: atenção redobrada à mobilidade e segurança das crianças
Durante as férias escolares, crescem os riscos no trânsito; atenção com práticas perigosas, veículos eletrificados e a segurança das crianças deve ser redobrada por todos
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 23/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Durante o período de férias escolares, os riscos no trânsito aumentam significativamente, especialmente pela presença maior de crianças e adolescentes circulando sem supervisão em horários e locais pouco habituais. Um dos perigos mais conhecidos é o uso de cerol em linhas de pipas, que representa uma ameaça real e frequentemente fatal para motociclistas e ciclistas, podendo causar cortes graves, especialmente na região do pescoço.
Outra prática perigosa é a chamada “rabeira”, em que adolescentes se penduram na traseira de caminhões ou ônibus em movimento ou tentam acompanhar esses veículos de bicicleta. Além de ser uma conduta ilegal, essa atitude expõe os jovens a quedas, atropelamentos e ferimentos graves. Infelizmente, já houve registro de vítima fatal nesta temporada de férias escolares na cidade de Sumaré, em São Paulo.
Ruas como espaço de lazer podem ser armadilhas nas Férias Escolares

Também preocupa o uso das ruas como espaço de lazer, com crianças brincando de futebol, andando de bicicleta, skate ou patinete, muitas vezes sem equipamentos de proteção e em vias com tráfego intenso, durante as férias escolares. Vale lembrar que o uso de patinetes elétricos compartilhados é proibido para menores de idade.
Além disso, o comportamento impulsivo típico da infância, como atravessar ruas sem atenção, mesmo em locais aparentemente tranquilos, eleva o risco de atropelamentos. Em bairros com pouca estrutura de lazer, é comum que as crianças permaneçam por longos períodos próximos às vias, muitas vezes sozinhas, o que aumenta sua vulnerabilidade.
Bicicletas e veículos eletrificados: novos desafios para a segurança das crianças

Com a crescente popularização de bicicletas e assemelhados eletrificados entre os jovens, surgem novos desafios, sobretudo quando esses veículos são utilizados de forma imprudente, sem o uso de capacetes ou outros itens de segurança. Esse cenário é ainda mais crítico em regiões turísticas, como parques e áreas de lazer, onde há aumento expressivo no fluxo de veículos e pedestres, elevando a possibilidade de conflitos e acidentes nas férias escolares.
É importante destacar também a desatenção dos motoristas, inclusive de pais e responsáveis que, no clima de férias, muitas vezes dirigem de forma mais relaxada, usam o celular (o que configura infração gravíssima) ou não mantêm a vigilância necessária para antecipar movimentos inesperados das crianças.
Mais do que descanso: férias exigem vigilância constante
Portanto, mesmo que o trânsito esteja menos intenso durante as férias, é essencial redobrar a atenção com as crianças nas vias públicas. Pais, responsáveis e motoristas em geral devem estar conscientes de sua responsabilidade. No transporte de crianças em veículos, é obrigatório que estejam corretamente acomodadas em cadeirinhas ou assentos apropriados, conforme sua idade, peso e altura, conforme determina o Código de Trânsito Brasileiro. A negligência nesse ponto pode ser fatal, mesmo em percursos curtos. No caso do transporte em motocicletas, a legislação também é clara: a idade mínima para ocupar a garupa é de 10 anos.
A proteção das crianças no trânsito é uma responsabilidade compartilhada e deve ser tratada com prioridade, para que as férias escolares sejam lembradas por bons momentos e não por tragédias evitáveis.
O período de férias escolares exige mais dos pais e responsáveis, seja no lazer ou em atividades profissionais. E conhecendo que os riscos aumentam, a empatia no trânsito tem um significado ainda maior: que todos retornem ao segundo semestre do ano letivo em segurança.
Luiz Vicente Figueira de Mello Filho

Especialista em mobilidade urbana e agente de transformação nesse setor. Atualmente, é colunista de mobilidade do portal ABCdoABC. Atua como pesquisador no Programa de Pós-Doutorado em Engenharia de Transportes e é professor credenciado na Faculdade de Tecnologia da Unicamp. Possui doutorado em Engenharia Elétrica pelo Departamento de Comunicação da FEEC/Unicamp (2020), mestrado em Engenharia Automotiva pela Escola Politécnica da USP (2009) e pós-graduação em Comunicação e Marketing pela Faculdade Cásper Líbero (2005). Formado em Administração de Empresas (2002) e Engenharia Mecânica (1999) pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.