FeNaDante reúne projetos sobre saúde, racismo e tradição cultural
Evento do Colégio Dante Alighieri, FeNaDante destaca projetos inovadores em ciência, tecnologia e impacto social, com participação de estudantes de cinco países.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 26/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
Criada em 2019, a Feira Nacional e Internacional de Ciências do Colégio Dante Alighieri (FeNaDante) nasceu como evolução do programa Cientista Aprendiz, que desde 2006 promove a iniciação científica entre estudantes do Ensino Fundamental e Médio. A coordenadora assistente do programa, Percia Barbosa, lembra que a feira surgiu da necessidade de ampliar o alcance do simpósio científico realizado ao longo de 18 edições internas.
“O simpósio que nós organizávamos era voltado mais para os alunos do nosso programa de iniciação científica júnior, mas a gente queria ultrapassar as nossas fronteiras. A FeNaDante surgiu, então, para promover essa troca de saberes com estudantes de diferentes regiões e países”, afirmou.
Na edição de 2025, a feira reúne 135 projetos finalistas, selecionados entre mais de 150 inscrições. São trabalhos vindos de 16 estados brasileiros e de estudantes do México, Paraguai, Peru e Colômbia.
Diversidade de temas e impacto social
Os projetos apresentados na FeNaDante abrangem desde biotecnologia até questões sociais, refletindo a pluralidade dos desafios enfrentados pela nova geração. Entre eles, estão pesquisas sobre acessibilidade, saúde, sustentabilidade e identidade cultural.
A estudante Fernanda, por exemplo, destacou a importância da inclusão educacional de pessoas surdas. “Cerca de 5% da população nasce surda, e grande parte delas tem dificuldade no aprendizado por falta de acesso nas escolas brasileiras. O nosso projeto buscou soluções para reduzir essa defasagem”, explicou.
Já Thiago Rosa, de Mato Grosso do Sul, apresentou um estudo sobre o uso da luz UV-C na esterilização de mosto fermentativo, insumo fundamental na produção de bebidas alcoólicas. “Os resultados mostraram que, quanto maior o tempo de exposição, menos micro-organismos são encontrados. Na amostra de 15 minutos, houve ausência total de contaminantes”, disse o estudante.
Tecnologia e acessibilidade
Outro destaque da FeNaDante foi o projeto IncluType, de Murilo Paz, estudante do SENAI. O dispositivo assistivo foi desenvolvido para auxiliar pessoas em processo de reabilitação após um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
“A proposta do meu projeto é dar uma solução para esse tipo de problema, promovendo acessibilidade tanto nos dispositivos quanto na comunicação. Assim, a pessoa pode responder perguntas e interagir com o mínimo de movimento possível”, explicou Murilo.
Cultura e identidade em foco
Além da tecnologia, a feira também abriu espaço para projetos que resgatam tradições e questionam estereótipos sociais.
Estudantes mexicanos apresentaram na FeNaDante a revitalização do doce chinopote, típico do estado de Tabasco. “O chinopote era elaborado à base de pinole na antiguidade e hoje está quase extinto. Queremos que os jovens conheçam e se sintam orgulhosos de suas raízes”, destacaram Valeria e José Iván, responsáveis pelo trabalho.
No campo das ciências humanas, uma estudante de São Paulo investigou a forma como o racismo se perpetua no jornalismo brasileiro. “As manchetes muitas vezes invisibilizam quem cometeu o preconceito e colocam o peso maior sobre a vítima. Isso naturaliza e reforça a desigualdade”, explicou Catarina, a estudante responsável pela pesquisa.
Processo seletivo e avaliação
Os trabalhos passaram por duas etapas principais para participarem da FeNaDante: inscrição e seleção. Durante a feira, os finalistas apresentaram suas pesquisas a avaliadores de universidades, hospitais e centros de pesquisa, incluindo USP e Unesp.
Segundo Percia Barbosa, a diversidade regional foi um critério essencial. “Queremos que várias pessoas de diferentes regiões estejam aqui para compartilhar suas culturas e promover a socialização. Esse é o verdadeiro objetivo da FeNaDante.”
Premiação e credenciamento internacional
Os projetos mais bem avaliados recebem prêmios em três categorias: primeiro, segundo e terceiro lugares. Além disso, a feira funciona como uma vitrine de oportunidades para os jovens pesquisadores.
“Temos credenciamentos para feiras nacionais como a Febrace e a Mostratec, e internacionais, como a TISP em Taiwan, olimpíadas científicas nos Estados Unidos e eventos na Itália”, explicou a coordenadora.
Juventude que transforma
A maioria dos participantes está entre o 1º e 2º ano do Ensino Médio, mas a diversidade de origens mostra que a ciência vem se fortalecendo em diferentes contextos. No ginásio do colégio, os projetos chamaram a atenção não apenas pela qualidade técnica, mas também pela relevância social, discutindo desde o combate a micro-organismos em bebidas até o papel da mídia na perpetuação do racismo.
A FeNaDante, ao reunir 135 projetos de cinco países, reforça o protagonismo da juventude latino-americana e a importância da ciência como ferramenta de transformação social. Como resume Barbosa, “a feira é um espaço de compartilhamento de saberes, mas também de convivência e diversidade”.