Feminicídios em SP bate recorde histórico com 266 mortes em 2025
Dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública revelam alta de 8,1% nos crimes de gênero, o maior índice já registrado no estado.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 29/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Secult PMSCS
O número de casos de feminicídio no estado de São Paulo atingiu o patamar mais alto da série histórica em 2025, totalizando 266 vítimas. De acordo com o balanço consolidado pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), o crescimento foi de 8,1% em comparação ao ano anterior, evidenciando uma crise de segurança pública que atinge mulheres em todas as regiões paulistas.
Escada da violência na capital e no interior
Os dados de dezembro, divulgados nesta quinta-feira (29), confirmam a tendência de alta. Apenas no último mês do ano, o estado contabilizou 36 ocorrências, superando em 12 casos o mesmo período de 2024.
Na capital, a situação é ainda mais crítica. A cidade de São Paulo registrou 60 casos de feminicídio ao longo de 2025, o que representa um salto de 22,4% em relação às 49 mortes notificadas no ciclo anterior.
Medidas de proteção e suporte estatal
A SSP afirma que o combate à violência de gênero é prioridade estratégica do governo. Entre as principais frentes de atuação para reduzir o feminicídio, destacam-se:
- Protocolo Não se Cale: Focado em estabelecimentos de lazer.
- Aplicativo Mulher Segura: Monitoramento em tempo real de vítimas.
- Casas da Mulher Paulista: Espaços de acolhimento e suporte jurídico.
- Monitoramento Eletrônico: Uso de tornozeleiras em agressores com medidas protetivas.

Histórico e subnotificação do crime
A tipificação do crime ocorreu em 2015, mas as estatísticas unificadas só ganharam corpo em 2018. Desde o início desse monitoramento, São Paulo mantém uma média superior a 200 casos anuais de feminicídio.
É importante ressaltar que os números refletem boletins de ocorrência formalizados. Na prática, o volume de vítimas pode ser maior, visto que um único evento criminoso pode envolver múltiplas mulheres assassinadas sob a mesma motivação de ódio.
Casos de grande repercussão em 2025
O ano foi marcado por crimes de extrema brutalidade. Tainara Souza Santos faleceu após ser arrastada por um quilômetro por um veículo. Outro caso notório foi o da arquiteta Fernanda Silveira Andrade, morta por um ex-namorado que já possuía histórico de violência doméstica.
Especialistas como a advogada Marina Ganzarolli explicam que a alta reflete tanto uma melhoria na classificação policial quanto um aumento real da violência. Antigamente, mortes motivadas por gênero eram registradas como homicídios comuns, mascarando a realidade do feminicídio no Brasil.
Retração nos índices de estupro
Diferente da curva ascendente dos assassinatos, os registros de estupro apresentaram uma leve queda. Foram 14.443 ocorrências em 2025, contra 14.579 no ano anterior. Apesar da redução, o estado ainda convive com a média inaceitável de quase 40 estupros diários.
Para tentar frear esse cenário, a SSP ampliou a rede de Delegacias da Defesa da Mulher (DDM) com atendimento 24 horas. O foco é garantir que o acolhimento humanizado evite que a violência escale até o desfecho trágico do feminicídio.