Feminicídio em SP bate recorde histórico em 2025

Capital registra 53 mortes até outubro e supera todos os anos anteriores da série histórica.

Crédito: Fonte: Agência Brasil

O feminicídio, crime caracterizado pelo assassinato de mulheres em contextos de violência doméstica, familiar ou discriminação de gênero, atingiu um patamar crítico na cidade de São Paulo. Mesmo tipificado em lei federal há uma década, o cenário atual revela desafios crescentes na segurança pública da capital paulista.

Levantamentos recentes apontam que 2025 já se consolidou como o ano com o maior número de ocorrências desde o início do monitoramento estatístico, iniciado em abril de 2015. Entre janeiro e outubro deste ano, foram documentadas 53 ocorrências na cidade. Este volume já supera os totais anuais de todos os anos anteriores, confirmando que 2025 encerrará com um triste recorde, mesmo sem a contabilização dos dados de novembro e dezembro.

As informações foram compiladas a partir do Portal da Transparência da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Vale destacar que a metodologia considera apenas os casos consumados de feminicídio, excluindo tentativas de assassinato, como o recente caso da mulher atropelada e arrastada por mais de um quilômetro.

Evolução dos números de feminicídio na capital

A análise da série histórica demonstra uma oscilação preocupante, culminando na alta histórica deste ano. Abaixo, o comparativo anual de casos na cidade de São Paulo:

  • 2025 (até outubro): 53 casos
  • 2024: 51 casos
  • 2023: 38 casos
  • 2022: 41 casos
  • 2021: 33 casos
  • 2020: 40 casos
  • 2019: 44 casos
  • 2018: 29 casos
  • 2017: 26 casos
  • 2016: 13 casos
  • 2015 (contagem iniciada em abril): 6 casos

Legislação e cenário estadual

Violência contra mulher - estupros - DDM - Feminicídio em SP
Freepik

Sancionada em março de 2015, a lei que classifica o feminicídio como crime hediondo permitiu a segregação estatística dessas mortes em relação aos homicídios comuns. A legislação prevê penas severas, variando de 12 a 30 anos de prisão.

No âmbito estadual, a tendência de alta também se verifica. Entre janeiro e outubro de 2025, o estado de São Paulo contabilizou 207 mortes motivadas por gênero, o que representa um aumento de 8% em comparação aos 191 registros do mesmo período no ano anterior.

A visão dos especialistas sobre feminicídio

Assédio Sexual - Violência Doméstica - Feminicídio
Divulgação/Freepik

Para compreender o fenômeno do aumento de feminicídio em SP, é necessário olhar além dos números frios. Silvana Mariano, coordenadora do Laboratório de Estudos sobre Feminicídios (Lesfem), aponta que o crescimento das estatísticas pode ser resultado tanto do agravamento da misoginia quanto da eficácia da lei em tipificar corretamente os crimes.

Segundo a especialista, a visibilidade das mortes violentas intencionais sob a lente de gênero favoreceu o reconhecimento dessas ocorrências como feminicídio. Contudo, ela alerta para a complexidade do tema:

“A tipificação do feminicídio como crime autônomo pode ter contribuído para o aumento dos números.”

Mariano reforça que o combate a esse crime exige uma abordagem multisetorial, que ultrapasse a esfera policial.

“É fundamental integrar políticas nas áreas de educação, saúde, assistência social, renda, trabalho e habitação para prevenir a violência contra a mulher e interromper esse ciclo que pode culminar no feminicídio”, afirma Silvana.

Resposta do Poder Público

Diante do agravamento da situação, a Prefeitura de São Paulo destacou suas ações de acolhimento, como as Casas da Mulher e o programa Guardiã Maria da Penha, operado pela Guarda Civil Metropolitana, que já prestou suporte a mais de 20 mil mulheres.

O governo estadual, por sua vez, reiterou o compromisso com o enfrentamento à violência de gênero. Entre as medidas citadas estão a expansão da rede de proteção, que conta com 142 delegacias especializadas, e o lançamento do aplicativo Mulher Segura, ferramenta que disponibiliza um botão de pânico para situações de emergência.

O que dizem a prefeitura e o governo de SP

Abaixo, veja a íntegra da nota da Prefeitura de SP:

“A Prefeitura de São Paulo possui diversas iniciativas e serviços para o atendimento a mulheres vítimas de violência. Uma delas é o programa Guardiã Maria da Penha, da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que já atendeu mais de 20 mil mulheres, acompanha outras 6 mil e conta com 23 viaturas para patrulhamento na capital – no último ano essa frota quase dobrou. Além disso, a corporação tem uma Inspetoria de Defesa da Mulher e Ações Sociais (IDMAS), formada por 165 agentes especializados. As mulheres atendidas também conseguem acesso ao Aplicativo da Mulher, integrado ao Smart Sampa, que permite monitoramento constante e o acionamento imediato de viaturas, garantindo resposta rápida em situações de emergência.

Nas áreas de assistência social e direitos humanos, a rede municipal conta hoje com cerca de 70 serviços ativos, entre eles as Casas da Mulher, os Centros de Defesa e Convivência da Mulher, a Casa da Mulher Brasileira (aberta 24 horas) e unidades sigilosas para mulheres em risco de morte. Desde 2021, já foram entregues 19 novos equipamentos exclusivos para mulheres, como Centros de Acolhida e Repúblicas. A Prefeitura ainda oferece o Auxílio Ampara, destinado a crianças e adolescentes que perderam suas mães ou responsáveis vítimas de feminicídio, e o auxílio-aluguel para mulheres vitimizadas e seus filhos menores de 18 anos. As políticas incluem também serviços especializados de acolhimento, orientação jurídica, apoio psicológico e atendimento socioassistencial.”

Abaixo, veja a íntegra da nota do governo de SP:

“A SSP destaca que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade do Governo. A pasta mantém diversas iniciativas voltadas ao tema, entre elas a Cabine Lilás, que já realizou cerca de 14 mil atendimentos a mulheres vítimas de violência em todo o Estado de São Paulo. Criada de forma inédita no âmbito do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), a Cabine Lilás oferece atendimento humanizado por policiais femininas treinadas para acolher e orientar vítimas de violência doméstica. As agentes fornecem informações sobre medidas protetivas, canais de denúncia e serviços de apoio, além de despachar viaturas quando necessário. O projeto, inicialmente implantado na capital, foi ampliado para a Grande São Paulo e para o interior, com unidades nas regiões de Campinas, São José dos Campos, Bauru, São José do Rio Preto, Sorocaba, Presidente Prudente e Piracicaba.

Mais proteção às mulheres

Entre as iniciativas da SSP, cabe também ressaltar as 142 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) territoriais – duas inauguradas no atual governo – e as salas DDM 24h, que foram ampliadas em 174,1% na atual gestão, com um total de 170 espaços em plantões policiais, para que as vítimas sejam atendidas por videoconferência por uma delegada mulher. As DDMs de todo o estado também tiveram reforço em seu efetivo com 473 novos policiais, enquanto as vagas da Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho Policial – Dejec para policiais civis atenderem na DDM online, de forma voluntária em sua folga, dobrou, passando de 140 para 280.

Há que mencionar, ainda, o aplicativo SP Mulher Segura, que permite o registro de boletim de ocorrência e possui botão de pânico para pedidos de ajuda; e o tornozelamento eletrônico de autores de violência doméstica, que atualmente monitora 191 infratores, dos quais 89 já foram presos por descumprimento de medidas impostas pelo judiciário.”

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 02/12/2025
  • Fonte: Sorria!,