Feira de empreendedorismo de famílias atípicas de Mauá: expositoras carregam histórias de superação
Evento destaca a força de mães e pais que enfrentam desafios da deficiência em suas famílias atípicas com criatividade e trabalho
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 29/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Na última quinta-feira (29), foi realizada a da segunda edição da Feira de Empreendedorismo das Famílias Atípicas de Mauá, que movimentou a Praça do Relógio, no centro da cidade. Roupas, acessórios, artesanatos e delícias da gastronomia foram expostos por 20 famílias, majoritariamente compostas por mães solo que enfrentam, diariamente, os desafios de cuidar de filhos com deficiência.
Organizada pela Prefeitura de Mauá por meio da Secretaria de Proteção e Defesa da Pessoa com Deficiência, a feira é um espaço de visibilidade, acolhimento e fortalecimento de vínculos comunitários.
Superação e empreendedorismo lado a lado
Dayuri, uma das idealizadoras da iniciativa, explica como a feira nasceu da própria necessidade dessas famílias. “Esse projeto nasceu por conta das próprias mães. É uma luta diária das famílias atípicas, que em sua maioria são formadas por mães solo. Muitas começam a vender artesanatos ou doces para complementar a renda”, relata.
A feira, que teve sua primeira edição em dezembro do ano passado, ainda está em fase piloto. “Estamos vendo se vai dar certo, se mantemos aqui na Praça do Relógio ou levamos para outros lugares. Tudo depende da venda e da experiência das famílias. Depois conversamos com elas para saber como foi”, completa.
Relatos que inspiram: a realidade das mães atípicas
A feira também é um palco para histórias emocionantes de mães, muitas vezes solo. Maria do Rosário Cardoso, da Associação de Pais e Amigos dos Surdos de Mauá (APASMA), é mãe de uma mulher surda de 32 anos. “Minha filha nasceu com uma síndrome que não época era rara. Lutei para conseguir aparelhos auditivos, levei ela para a fono, e no fim ela escolheu a Libras. Hoje ela se comunica perfeitamente, e eu abracei isso com orgulho”, conta.
Para Luísa, que é mãe de três filhos no TEA (Transtorno do Espectro Autista), o artesanato se tornou uma fonte de renda e alívio emocional. “É uma oportunidade muito boa estar aqui. Já trabalho com artesanato há 30 anos. No começo, meu filho fazia cinco dias de terapia por semana. Hoje, ele está bem melhor, mas a luta continua. E sem aceitação, não tem evolução”, afirma.
Já Eliane, mãe de um jovem cadeirante com paralisia cerebral e autismo, compartilhou como a rede de apoio e a fé fazem a diferença. “A luta é diária, mas Deus supre todas as nossas necessidades. Estudo em Ribeirão Pires, onde ele faz fisioterapia, fono, tudo. É difícil, mas seguimos firmes”, declarou.
Terapia, inclusão e empatia no centro da programação
Além dos estandes, o público também foi presenteado com uma apresentação de Dança Circular comandada pela coreógrafa Silvia Fasioli, conhecida como Zahrah. “A Dança Circular é uma ferramenta que auxilia nas terapias e também na inclusão. Ela melhora a flexibilidade e estimula a interação”, explicou durante a apresentação.
O olhar das autoridades: protagonismo das mães e inclusão
A secretária-adjunta de Proteção e Defesa da Pessoa com Deficiência, Ingrid Frohlick, destacou a importância do evento: “Nosso propósito é promover o protagonismo das famílias, especialmente das mães solo. Esta feira é uma oportunidade para que compartilhem seus talentos, valorizem seu trabalho e conquistem autonomia financeira.”
A primeira-dama e secretária de Assistência Social, Fernanda Oliveira, também esteve presente e apoiou a ação, reforçando a importância da inclusão e da visibilidade dessas famílias.
A luta que não para
Entre as barracas, histórias de dor, luta e superação se misturam à criatividade, talento e esperança. “Quando minha filha me perguntou por que eu nunca descobri que ela era autista, foi um choque. Eu só percebi quando comecei a entender o que é o autismo. É difícil aceitar, mas a primeira coisa que os pais precisam fazer é aceitar”, contou Luísa.