SP confirma primeiros casos de Febre do Nilo Ocidental
Secretaria de Saúde confirma infecções inéditas no interior paulista. Mulheres do interior contraíram o vírus transmitido por mosquitos.
- Publicado: 25/08/2026 07:50
- Alterado: 25/08/2026 07:53
- Autor: Thiago Antunes
O estado de São Paulo registrou os primeiros casos de Febre do Nilo Ocidental em humanos. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) confirmou as infecções na última segunda-feira. As pacientes moram nas cidades de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, no interior paulista.
Uma mulher de 34 anos contraiu o vírus após uma viagem recente à região amazônica e já evoluiu para a cura. O segundo registro envolve uma jovem de 18 anos, que permanece internada sob cuidados médicos. Equipes municipais investigam os prováveis locais onde ocorreu a contaminação de ambas.
“A confirmação dos dois primeiros casos humanos no estado reforça a importância da vigilância epidemiológica e do acompanhamento permanente da situação”, destacou a diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP), Tatiana Lang D’Agostini. A gestora orientou as equipes a rastrear as áreas e intensificar as medidas preventivas nas regiões afetadas.
O que é a Febre do Nilo Ocidental
O patógeno causador da Febre do Nilo Ocidental gera uma infecção viral aguda no organismo. Este agente pertence ao grupo dos arbovírus, a mesma categoria biológica que carrega doenças severas como dengue, Zika e febre amarela. O mosquito do gênero Culex, conhecido popularmente como pernilongo ou muriçoca, atua como o principal vetor de transmissão.
O inseto adquire o agente infeccioso ao se alimentar do sangue de aves silvestres contaminadas. Na maioria das ocorrências, o corpo humano não apresenta sinais imediatos da invasão. Médicos estimam que cerca de 20% das pessoas infectadas desenvolvem manifestações clínicas, geralmente com quadros de febres passageiras e dores leves.
Sintomas mais comuns da Febre do Nilo Ocidental
Pacientes com o vírus ativo no organismo costumam relatar diferentes níveis de desconforto. Os sinais incluem:
- Febre aguda e mal-estar generalizado;
- Falta de apetite, náuseas e episódios de vômito;
- Dores de cabeça, dores musculares e nos olhos;
- Aparecimento de manchas na pele e aumento dos gânglios linfáticos.
Complicações neurológicas e diagnóstico
Os quadros graves da doença atingem diretamente o sistema nervoso central e periférico. A progressão do vírus provoca inflamações profundas no tecido cerebral, gerando quadros de encefalite e meningite. O paciente infectado pode apresentar confusão mental, tremores espasmódicos, convulsões e rebaixamento crítico do nível de consciência.
O diagnóstico exige avaliação clínica rigorosa e testes laboratoriais específicos. Profissionais do Instituto Adolfo Lutz validaram os resultados das duas pacientes paulistas infectadas pela Febre do Nilo Ocidental. Indivíduos com suspeita clínica devem buscar atendimento médico imediato e informar o histórico de viagens para áreas endêmicas.
Tratamento e bloqueio de novos focos
A medicina contemporânea não possui vacina profilática ou antiviral específico para neutralizar o vírus em humanos. O tratamento médico foca exclusivamente no suporte dos sintomas, com reposição intravenosa de fluidos, repouso absoluto e controle térmico. Casos severos exigem internação imediata e suporte respiratório mecânico nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI).
A principal forma de proteção envolve a criação de barreiras contra o mosquito vetor. A população precisa usar repelentes químicos, instalar telas nas portas e eliminar recipientes e locais que possam acumular água. O combate diário aos focos de proliferação do inseto bloqueia o avanço silencioso da Febre do Nilo Ocidental.