FBI indicia Del Nero e Ricardo Teixeira por corrupção
Marco Polo del Nero e Ricardo Teixeira foram indiciados nos EUA por corrupção. A Fifa abre investigações contra o presidente da CBF por violações ao código de ética
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 16/08/2023
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Mas, diante de uma decisão judicial no Brasil que impede a cooperação com os EUA, Del Nero não será preso e nenhum pedido de cooperação pode ser apresentado ao Ministério Público Federal.
De acordo com o jornal The New York Times, Del Nero e Teixeira estariam entre os 16 executivos indiciados nesta quinta-feira, dia em que autoridades da Suíça e dos EUA prenderam mais dois cartolas da Fifa, no mesmo hotel de Zurique em que foram feitas a prisão de sete dirigentes, em maio.
O Departamento de Justiça dos EUA vai publicar o indiciamento de mais um grupo de cartolas, apoiando as prisões dos vice-presidentes da Fifa, Alfredo Hawit e Juan Ángel Napout, nesta manhã. O documento confirma o que a reportagem do jornal O Estado de S.Paulo havia revelado com exclusividade em 15 de setembro: Del Nero estava sendo investigado pelo FBI.
Agora, ele é indiciado formalmente por receber propinas em contratos comerciais envolvendo a CBF. A reportagem apurou que o governo americano estava costurando um pedido de cooperação com o Brasil para que Del Nero fosse preso ou pelo menos ouvido pela Justiça.
Mas, conforme a reportagem revelou com exclusividade, uma decisão de uma juíza no Rio de Janeiro suspendeu todo o tipo de cooperação entre americanos e brasileiros envolvendo o escândalo da Fifa. Com isso, o MP brasileiro fica impedido de cumprir qualquer solicitação do FBI relacionado com o caso.
Nos EUA, a apuração sobre Del Nero se debruçava sobre pagamentos feitos por José Hawilla, dono da Traffic. A Justiça apontava como o empresário brasileiro foi obrigado a compartilhar um contrato que tinha com a CBF para os direitos da Copa do Brasil com a Klefer a partir de 2011. Para o período entre 2015 e 2022, a Klefer pagaria à CBF R$ 128 milhões pelo torneio, minando a posição privilegiada que Hawilla tinha desde 1989.
Para evitar uma guerra comercial, Hawilla e a Klefer entraram em um entendimento. Mas só neste momento é que a Klefer informou que havia prometido o pagamento de uma propina anual a um cartola da CBF, cujo nome não foi revelado.
Essa mesma propina teria de ser elevada a partir de 2012 quando dois outros membros da CBF entrariam em cena. Um deles é José Maria Marin, preso em Zurique e extraditado aos Estados Unidos. O outro, segundo os americanos, seria Del Nero.
Para chegar ao atual presidente da CBF, a Justiça americana tem examinado depósitos e pagamentos feitos pela Traffic nos EUA, assim como pela Klefer. Já na justificativa para pedir a extradição de José Maria Marin, os americanos apontaram dois depósitos como exemplos de como o sistema financeiro americano estava sendo usado no esquema entre os cartolas da CBF.
Uma das contas, porém, chama a atenção do FBI. Trata-se de uma transferência da Klefer, avaliada em US$ 500 mil no dia 5 de dezembro de 2013 a partir de uma conta no banco Itaú Unibanco de Nova York para o HSBC em Londres, em nome de uma empresa fabricante de iates de luxo. O que a Justiça quer saber é quem teria sido o beneficiado pela compra do iate ou pelo pagamento.
SUSPENSÃO – Del Nero ainda passou a sofrer um processo na Fifa, que abriu uma investigação. Se punido, Marco Polo Del Nero poderá ser suspenso do futebol e terá de deixar a CBF. Com base nas informações enviadas pela CPI do Futebol no Senado, a Fifa abriu um processo investigativo e Del Nero poderá ser suspenso do futebol, o que significa que ele terá de deixar a CBF.
O brasileiro não viaja ao exterior desde maio, quando José Maria Marin foi preso em Zurique. Na semana passada, o cartola obrigou a Conmebol a realizar sua reunião no Rio de Janeiro para que um substituto fosse escolhido para seu lugar no Comitê Executivo da Fifa. O escolhido foi Fernando Sarney.