Faturamento do turismo supera R$ 205 bilhões e bate recorde
Alta de 6,2% consolida o melhor desempenho da história do setor. Crédito acessível e aviação impulsionam números antes do verão.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 28/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O faturamento do turismo nacional atingiu um patamar histórico em 2025, impulsionado por uma conjuntura econômica favorável. Dados acumulados entre janeiro e novembro revelam que o setor movimentou R$ 205,1 bilhões, o que representa um crescimento real de 6,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Este recorde foi consolidado antes mesmo de contabilizar dezembro, mês tradicionalmente forte devido às férias escolares. O levantamento da FecomercioSP, baseado em dados do IBGE, aponta que o faturamento do turismo reflete diretamente o aumento da disponibilidade de renda das famílias e a expansão do crédito no Brasil.
A projeção para a alta temporada, que engloba o verão e o carnaval, é otimista. Estima-se uma movimentação de R$ 64 bilhões entre dezembro e fevereiro, um avanço de 7% sobre a temporada passada. Apenas em fevereiro, mês da folia, a expectativa é injetar cerca de R$ 18 bilhões na economia.
Aviação impulsiona o faturamento do turismo
A análise segmentada mostra que o transporte aéreo foi o grande motor desse desempenho. Em novembro, o faturamento do turismo totalizou R$ 19,6 bilhões, sendo que a aviação respondeu sozinha por R$ 5,2 bilhões desse montante — uma alta de 7,9%.
O volume de passageiros transportados bateu recordes sucessivos. Segundo a Anac, o acumulado de janeiro a novembro registrou crescimento de 10%. Um fator decisivo para esse cenário foi a redução no custo médio das passagens:
- Novembro de 2024: Tarifa média de R$ 759.
- Novembro de 2025: Tarifa média de R$ 608.
Essa queda de preços permitiu que mais brasileiros viajassem, compensando a tarifa menor com um volume maior de vendas, o que sustentou a alta no faturamento do turismo aéreo.
Efeito COP30 e disparada na hotelaria
Outro destaque foi o setor de alojamento, que cresceu 4,3% em novembro, faturando R$ 2,4 bilhões. Embora a taxa de ocupação nacional tenha subido moderadamente para 68,2%, o valor das diárias disparou. Em termos reais, a diária média avançou 17,6% no país.
O caso mais emblemático ocorreu em Belém do Pará, sede da COP30. A conferência climática provocou uma distorção estatística impressionante nos preços locais:
“Em Belém, a diária média saltou de R$ 296 para R$ 3.879 em apenas um ano, impulsionando o resultado regional.”
Esse fenômeno fez o Estado do Pará registrar um crescimento de 42,6% em novembro. O Amazonas, também influenciado pela agenda climática, cresceu 16,2%.
Desempenho regional e outros segmentos
O Rio Grande do Sul apresentou uma recuperação vigorosa após as enchentes de 2024, com alta de 9,8% — o melhor novembro em uma década, puxado pelo apelo turístico de Gramado. Já São Paulo manteve um ritmo estável, com crescimento de 3,6% e receita próxima a R$ 5 bilhões.
Outros segmentos também contribuíram para o saldo positivo do faturamento do turismo:
- Transporte Rodoviário: Alta de 4,2% (R$ 3,1 bilhões).
- Alimentação: Crescimento de 2,1%.
- Atividades Culturais: Avanço de 0,9%.
Em contrapartida, agências de viagens (-0,4%) e transporte aquaviário (-7,3%) registraram recuos, mas com pouco impacto no resultado global devido ao menor peso estatístico.
Para o fechamento do ano, a expectativa recai sobre os destinos de “sol e praia”. O Nordeste, com destaque para Bahia, Pernambuco e Ceará, deve liderar a procura. Com a atração contínua de visitantes estrangeiros e o aquecimento do mercado interno, o faturamento do turismo encerra 2025 provando ser um pilar vital da recuperação econômica brasileira.