Faturamento do varejo recua 8,2% em fevereiro no ABC
Desempenho do setor de concessionárias de veículos foi determinante para o resultado negativo da região, aponta pesquisa Conjuntural da FecomercioSP
- Publicado: 01/06/2015 13:28
- Alterado: 01/06/2015 13:28
- Autor: Redação
- Fonte: FecomercioSP
Em fevereiro, as vendas do comércio varejista da região do ABCD paulista recuaram 8,2%, em relação ao mesmo período de 2014 e o faturamento foi de R$ 2,2 bilhões.
Os dados são da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista no Estado de São Paulo (PCCV), realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) segundo informações da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz).
No comparativo anual, oito das nove atividades pesquisadas tiveram queda. O desempenho negativo foi impulsionado pela retração de 21% nas vendas do setor de concessionárias de veículos, com impacto negativo de 3,3 pontos porcentuais para o resultado geral. Também mereceu destaque a queda de 6,5% vista no segmento de supermercados.
A única alta apurada, do setor de outras atividades (0,6%), não foi suficiente para impedir o resultado negativo. A contribuição positiva foi de apenas 0,1 p.p. para o índice geral.
DESEMPENHO ESTADUAL
O faturamento do comércio varejista paulista completa 12 meses consecutivos de resultados negativos. Em fevereiro, a retração foi de 5,7% na comparação com o mesmo período de 2014 e a receita mensal atingiu R$ 38,5 bilhões.
Segundo a assessoria econômica da Federação, a movimentação negativa do comércio varejista confirma que a instabilidade de variáveis de maior abrangência – como renda, emprego, inflação e crédito – tem impactado diretamente na confiança de consumidores e empresários, prorrogando as expectativas de normalização do consumo.
Das nove atividades pesquisadas, oito apresentaram queda e quatro tiveram baixas expressivas de dois dígitos em comparação a fevereiro de 2014: concessionárias de veículos (-20,8%); lojas de móveis e decoração (-18%); lojas de vestuário, tecidos e calçados (-13,8%); e autopeças e acessórios (-11,6%), que juntas, representam 4,4 pontos porcentuais da queda geral de 5,7% apurada no varejo total. O crescimento de 0,4% do segmento de outras atividades, o único a registrar alta, atenuou a queda no resultado geral em 0,1 ponto porcentual.
Ainda segundo avaliação da Entidade, o forte recuo apresentado nas vendas de vestuário, tecidos e calçados aponta que o esforço do comércio varejista em recuperar a receita por meio de liquidações e promoções não causou efeito positivo. O fraco movimento do setor de supermercados (-0,1%) também causa apreensão, uma vez que o setor (que possui maior peso relativo no varejo e que há quatro meses apresenta uma estagnação no faturamento real) denota reflexo de fragilidade dos indicadores de renda e de emprego neste início de ano.
EXPECTATIVA
Com os resultados de fevereiro, estimativas da assessoria econômica da FecomercioSP apontam uma improvável possibilidade de recomposição da confiança dos agentes econômicos a curto prazo, e a queda semestral pode ser ainda mais acentuada e passar de 1% para -4%. Com esse cenário de agravamento do clima econômico e também do ambiente político, o comprometimento das vendas varejistas aponta para uma retração de até 5% ao longo de 2015.
NOTA METODOLÓGICA
A Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista no Estado de São Paulo (PCCV) utiliza dados da receita mensal informada pelas empresas varejistas ao governo paulista por meio de um convênio de cooperação técnica firmado entre a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
As informações, segmentadas em 16 Delegacias Regionais Tributárias da Secretaria, englobam todos os municípios paulistas e nove setores (autopeças e acessórios; concessionárias de veículos; farmácias e perfumarias; lojas de eletrodomésticos e eletrônicos e lojas de departamentos; lojas de móveis e decoração; lojas de vestuário, tecidos e calçados; materiais de construção; supermercados; e outras atividades).
Os dados brutos são tratados tecnicamente de forma a se apurar o valor real das vendas em cada atividade e o seu volume total em cada região. Após a consolidação dessas informações, são obtidos os resultados de desempenho de todo o Estado.