Fãs cruzam países para ver ídolos e impulsionam turismo musical

Viagens organizadas por agências especializadas permitem que fãs acompanhem artistas fora do Brasil

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O deslocamento de fãs para acompanhar artistas fora do país tem se consolidado como um fenômeno que une entretenimento, turismo e consumo cultural. Shows internacionais, residências artísticas e turnês exclusivas levam brasileiros a atravessar fronteiras em busca de experiências que vão além do espetáculo musical.

Nesse contexto, surgem agências especializadas em turismo para fãs, como a Showtime, criada para atender um público que busca suporte logístico, segurança e vivência coletiva durante as viagens .
Segundo Camila Rodrigues, fundadora e CEO da agência, a ideia nasceu da própria experiência como fã.

“Eu sempre fui muito fã de Backstreet Boys, desde os meus oito anos de idade”, relata. O envolvimento com eventos e turismo veio na sequência, até que a vivência pessoal se transformou em um modelo de negócio. “Meu pai falou pra mim: por que você não abre um pacote de viagem pra levar as meninas com você?”, conta Camila sobre o início da iniciativa.

Do fandom ao modelo de negócio

A trajetória da agência começou com pacotes voltados aos fãs do Backstreet Boys, grupo que se tornou o principal foco inicial da empresa. A primeira experiência coletiva ocorreu durante a residência da banda em Las Vegas, quando foram organizados grupos para acompanhar os shows nos Estados Unidos. “A gente abriu o primeiro pacote de viagem pra levar a galera pra Vegas. Depois daí foi só mais e mais”, afirma Camila.

Com o tempo, a operação se expandiu para outros destinos e artistas, incluindo shows nacionais e internacionais. O modelo se baseia na organização de grupos que viajam juntos desde o aeroporto até o retorno ao Brasil, compartilhando hospedagem, traslados e atividades turísticas. “Você cria toda uma bolha de fãs, porque você viaja desde o aeroporto até a hora de ir embora com pessoas que têm a mesma vibe”, explica Camila.

Experiência coletiva e suporte ao viajante

Fãs show backstreet Boys
Acervo pessoal / Aline Damas

Para os clientes, o diferencial está na experiência coletiva e na assistência contínua. Aline Damas, que viajou com a agência para assistir a shows do Backstreet Boys em Las Vegas, relata que o suporte foi determinante. “Você tem todo o conforto, toda a comodidade e assistência. Se acontecer um problema com o voo, você tem pra quem ligar”, afirma.

Aline destaca que, embora o custo possa ser superior ao de uma viagem organizada de forma individual, o serviço oferecido compensa. “Acaba ficando um pouquinho mais caro se você for por conta, mas em contrapartida você vai tranquilo”, diz. Segundo ela, a programação inclui desde os ingressos para os shows até passeios turísticos, como visitas à Rota 66, Grand Canyon e Los Angeles.

Pagamento parcelado amplia o acesso

Um dos pontos destacados nas entrevistas é a forma de pagamento. A agência oferece parcelamento por boleto bancário, o que amplia o acesso de fãs que não dispõem de limite em cartão de crédito. “Até a noite da data da viagem, você consegue pagar essa viagem com boleto”, explica Camila. Para Aline, esse formato foi decisivo: “Muitas meninas não têm saldo suficiente no cartão de crédito, e isso facilita”.

Esse modelo permite planejamento financeiro de longo prazo, especialmente para viagens internacionais, que costumam ser anunciadas com meses de antecedência. Pacotes para shows na Alemanha, por exemplo, já estão sendo comercializados para apresentações previstas em 2026 .

Fãs, identidade e pertencimento

Fãs viagem show backstreet Boys
Acervo pessoal / Aline Damas

Além da logística, as viagens criam redes de sociabilidade entre fãs que muitas vezes não se conheciam antes. “Você percebe que não queria ir pra Vegas porque não tinha ninguém pra ir junto. Agora você já sabe quem quer ir”, relata uma das entrevistadas durante a conversa com Aline.

Para Aline, a experiência também envolve questões pessoais e familiares. Mãe, ela relata que viajar para ver o ídolo não significa abrir mão de outras responsabilidades. “Eu não estou deixando os meus filhos. Eu só tô indo ali realizar um sonho, mas eu vou voltar depois”, afirma. Segundo ela, a vivência ajudou a mudar a própria percepção sobre limites financeiros e possibilidades. “Muda completamente a mentalidade. A gente cresce achando que não pode, que não consegue”.

Turismo musical como tendência

O crescimento desse tipo de turismo acompanha a valorização das experiências ao vivo e a disposição dos fãs em investir em eventos culturais. Para Camila, o fato de a agência ter sido criada por uma fã faz diferença no planejamento. “Eu entendo muito a necessidade da fã, penso nos detalhes”, explica, citando desde brindes personalizados até orientações sobre posicionamento no local do show.

Com pacotes que incluem shows, hospedagem, passeios turísticos e acompanhamento integral, o turismo musical se consolida como um segmento específico dentro do mercado de viagens. A movimentação de fãs entre países para ver seus ídolos indica que, para esse público, a experiência vai além do palco, envolvendo deslocamento, convivência e realização pessoal.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 23/01/2026
  • Fonte: FERVER