FARM Rio é alvo de protesto após parceria com Starbucks
Entidades internacionais e brasileiras pedem fim da colaboração com empresa acusada de violações trabalhistas
- Publicado: 01/01/2026
- Alterado: 05/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Motisuki PR
A marca brasileira FARM Rio, conhecida por seu discurso sustentável e estampas que valorizam a cultura nacional, passou a ser alvo de uma campanha internacional após lançar uma coleção exclusiva de copos em parceria com a Starbucks. A colaboração teve início em 13 de maio nos Estados Unidos e Canadá e foi expandida para o Brasil em 20 de maio.
O movimento, batizado de #RompaComAStarbucks, é liderado pela organização não governamental Coffee Watch, que monitora práticas trabalhistas na cadeia do café. A ONG alega que a parceria representa uma tentativa de “lavagem de imagem” da rede de cafeterias, historicamente acusada de violações trabalhistas e repressão à organização sindical.
Carta aberta pede suspensão da parceria
Uma carta aberta foi enviada ao CEO da FARM Rio, Fabio Barreto, por uma coalizão de entidades do Brasil, Estados Unidos e outros países. O documento solicita o fim da parceria ou sua revisão, condicionada a reformas significativas na cadeia de fornecimento da Starbucks. Segundo os signatários, há provas de violações de direitos humanos, incluindo denúncias de trabalho infantil, escravidão e assédio a trabalhadores sindicalizados.

Entre os apoiadores brasileiros da campanha estão a CUT, UGT, ONG ADERE, Conecta Direitos Humanos, CONTRAC/CUT e o Sindicato dos Comerciários de SP. A carta também foi assinada por organizações internacionais como China Labor Watch e International Rights Advocates. O documento completo pode ser acessado no site coffeewatch.org.
Ações em lojas e críticas à coerência ética
Ativistas realizaram ações em lojas da FARM Rio na última terça-feira (3), entregando cópias da carta a gerentes e funcionários. Paralelamente, foi lançado um abaixo-assinado virtual pedindo o fim da colaboração.
De acordo com investigações anteriores do Ministério do Trabalho e do projeto Repórter Brasil, algumas fazendas fornecedoras da Starbucks no país foram flagradas com trabalho infantil, descontos salariais ilegais e ausência de equipamentos de proteção individual. Em 2022, um adolescente de 15 anos foi resgatado de condições análogas à escravidão em Minas Gerais.
Nos Estados Unidos, o movimento Starbucks Workers United denuncia o que chama de retaliação a greves, incluindo a demissão de mais de 120 baristas.
“A Starbucks lucra com a opressão. Enquanto vende café a preços premium, trabalhadores brasileiros colhem grãos sem água potável ou banheiro”, afirma Etelle Higonnet, fundadora da Coffee Watch. Para ela, a coleção da FARM Rio “dá um verniz de responsabilidade social a uma empresa que ignora crimes trabalhistas”.
A coleção, que inclui itens como “Banana Mix” e “Lenço Azulejo”, com preços entre R$ 69 e R$ 149, é criticada por estar em desacordo com a imagem da FARM Rio como marca B Corp e associada a práticas sustentáveis.
Histórico de denúncias e silêncio da marca
A FARM Rio não respondeu às acusações até o momento. A marca já enfrentou denúncias anteriores. Em 2019, uma operação fiscal encontrou trabalhadores em condições análogas à escravidão em oficinas contratadas pelo grupo Soma, que também detém a FARM Rio.
A Starbucks, por sua vez, nega as acusações. Em nota, afirma que seu programa C.A.F.E. Practices assegura “transparência e padrões éticos” e que contratos são encerrados com fornecedores envolvidos em irregularidades. No entanto, auditores independentes apontam falhas recorrentes.
“O modelo é frágil. Encontramos fazendas certificadas com trabalhadores sem registro ou direitos básicos todos os anos”, afirma Jorge Ferreira dos Santos Filho, da Articulação dos Empregados Rurais de Minas Gerais.
A campanha deve intensificar a coleta de assinaturas em junho, cobrando mais transparência nas cadeias de suprimentos e coerência entre discurso e prática das marcas de lifestyle.