Falta de iluminação causa fechamento noturno da ciclovia na Marginal
Concessionária fecha ciclovia à noite e cobra solução para iluminação da Enel e governo
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 12/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
A concessionária Farah Services, responsável pela gestão da ciclovia na Marginal Pinheiros, decidiu fechar a via durante a noite desde abril deste ano, devido à ausência de iluminação pública nos postes instalados ao longo do percurso. Michel Farah, presidente da empresa, destacou que essa medida foi tomada com o intuito de garantir a segurança dos usuários.
Essa situação gerou descontentamento entre os ciclistas, que utilizam a ciclovia tanto para atividades físicas quanto como meio de transporte e para entregas. Embora Farah tenha manifestado a esperança de resolver o problema em um prazo de três meses, representantes de outras partes envolvidas preferem não estabelecer datas concretas.
A falta de iluminação tem resultado em acidentes, incluindo colisões entre ciclistas e atropelamentos de capivaras, animais nativos que circulam nas margens do rio durante a noite. “Embora não tenham ocorrido muitos incidentes, foram suficientes para motivar nossa decisão de fechamento até que a questão seja solucionada”, afirmou Farah.
De acordo com o empresário, a iluminação foi doada pela Enel durante o governo de João Doria, mas o processo de doação ao poder público não foi finalizado após a troca na administração estadual. Dessa forma, permanece indefinido quem arcará com os custos de energia elétrica e manutenção dos postes e lâmpadas. Normalmente, essas despesas são responsabilidade das prefeituras em áreas urbanas; no entanto, a marginal é uma via estadual e a ciclovia está sob concessão da Farah desde 2000.
Farah esclarece que sua concessionária não pode aceitar a doação, pois isso implicaria em custos elevados de consumo semelhantes aos de um cliente comum. “Aguardamos uma solução entre a Enel e o governo paulista”, acrescentou.
Tanto a Enel quanto a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo reconhecem o problema. Em nota, a Semil informa que está em diálogo com a Enel e outros órgãos envolvidos para encontrar uma solução. A Enel também confirmou que está buscando resolver a questão e já realizou uma vistoria detalhada em parceria com a Farah Services para identificar os equipamentos que necessitam de reparo ou substituição.
A ciclovia havia sido aberta à circulação noturna durante a pandemia, visando proporcionar segurança aos trabalhadores da ciclologística que utilizavam a via. Desde então, os acessos permaneceram abertos até às 23h para entrada e fechavam à meia-noite, reabrindo às 5h. A iluminação é crucial para possibilitar uma abertura mais cedo, beneficiando grupos de treinamento.
O presidente da concessionária também expressou otimismo em relação à reabertura do trecho interditado devido à construção da linha 17-ouro do monotrilho, que deverá conectar o aeroporto de Congonhas à zona sudoeste. A previsão é que essa linha inicie operações experimentais no final do primeiro trimestre do próximo ano.
A conclusão das obras permitirá que a ciclovia se torne contínua ao longo da Marginal Pinheiros. Contudo, além da finalização das obras – que estão atrasadas há mais de 11 anos – é necessária a recuperação do trecho afetado pela construção, que foi severamente danificado.
Ainda não existe um acordo definido sobre quem será responsável pela restauração desse trecho. A Farah Services espera que as obras sejam custeadas pelos responsáveis pela construção da linha do monotrilho. O governo estadual ainda não se pronunciou sobre essa questão. Por sua vez, a ViaMobilidade declarou que operará o trecho mas não possui qualquer relação com sua construção.
A vereadora Renata Falzoni (PSB) está considerando alocar uma emenda parlamentar para viabilizar a reconstrução da ciclovia. Segundo seus assessores, essa não seria a primeira vez que recursos municipais seriam aplicados na ciclovia mesmo sendo uma obra estadual.
Além disso, é necessário realizar reparos no trecho posterior à obra devido ao tráfego de caminhões pesados que acessam a ciclovia pelo sul e percorrem várias distâncias dentro dela. Uma recente inspeção feita por repórteres da Folha revelou problemas no pavimento desse segmento, incluindo áreas craqueladas e desmoronamentos nas laterais.
A Viamobilidade, encarregada das obras na estação Santo Amaro, concluiu uma rampa que proporciona acesso direto aos ciclistas à ciclovia. “Em 10 de junho, realizamos uma reunião com representantes da Farah Services para uma vistoria técnica na área correspondente à estação. Durante essa inspeção, foi constatado que o local estava adequado para uso e liberado para os ciclistas“, informa em nota.