Falha na Cloudflare afeta sites como X, ABCdoABC e ChatGPT

X, ChatGPT, site jornalisticos e instituições financeiras enfrentam instabilidade nesta terça após erro em servidores

Crédito: Unsplash

Uma interrupção massiva atingiu a internet na manhã desta terça-feira (18), deixando milhares de páginas inacessíveis. A instabilidade foi causada por uma falha na Cloudflare, empresa responsável pela segurança e performance de uma vasta parcela da infraestrutura web global. Usuários ao redor do mundo relataram dificuldades para acessar serviços essenciais e redes sociais.

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Principais serviços impactados

O problema técnico teve um efeito cascata imediato. Segundo dados do portal Downdetector, que monitora o funcionamento de páginas em tempo real, foram registradas 5.141 ocorrências relacionadas à Cloudflare por volta das 9h08. Entre os gigantes da tecnologia afetados estão o X (antigo Twitter), ChatGPT, Canva e Amazon.

No Brasil, o impacto também foi sentido no setor financeiro. Plataformas de bancos como Bradesco e Banco do Brasil figuraram na lista de reclamações dos usuários. O cenário de instabilidade se estendeu ainda ao entretenimento e ferramentas de trabalho:

  • Jogos online, como League of Legends;
  • Aplicativos de design, como o Canva;
  • Sites jornalísticos, como o ABCdoABC;
  • O próprio site do Downdetector, que apresentou lentidão.

Às 8h42, o X já somava 1.213 notificações de erro. O software da Cloudflare funciona como um “buffer” essencial — uma barreira de proteção que intermedeia a conexão entre o usuário final e os servidores das empresas, evitando sobrecargas e ataques cibernéticos.

Especialista analisa: risco de “apagão” e segurança dos dados

Divulgação

O incidente traz à tona uma discussão técnica importante. Ouvido pela reportagem, Joab Júnior, sócio da Vericode, explica que a internet moderna opera sobre camadas (DNS, CDN, nuvem) que sofreram forte concentração em poucos players globais nos últimos anos, como AWS, Google e a própria Cloudflare.

Do ponto de vista de confiabilidade, isso cria um single point of systemic failure (ponto único de falha sistêmica): quando um desses grandes provedores sofre uma falha profunda, o impacto não atinge apenas um site, mas um ecossistema inteiro, afirma o especialista.

Ele ressalta que o risco de um “apagão digital” mais longo é mitigado por arquiteturas distribuídas e protocolos de resiliência. No entanto, existe um obstáculo econômico: Na prática, poucas empresas implementam redundância entre provedores, por custo e complexidade. Isso significa que, sem diversificação, o risco de interrupções globais cresce conforme mais empresas terceirizam sua infraestrutura crítica.

Meus dados ficaram expostos durante a queda?

Com aplicativos de bancos fora do ar devido à falha na Cloudflare, a preocupação imediata dos usuários é a segurança das informações. A análise técnica, contudo, é tranquilizadora: os dados não ficam automaticamente expostos.

Normalmente, ocorre o oposto: quando um provedor sofre um incidente desse tipo, os serviços ficam indisponíveis porque os mecanismos de segurança e roteamento ‘se protegem’, interrompendo as transações“, explica o especialista.

Ele utiliza uma analogia clara: Quando o sistema não consegue garantir segurança, disponibilidade ou integridade, ele tende a fechar, não a abrir. O que ocorre são falhas na resolução de nomes (DNS) ou interrupção de roteamento, impedindo o tráfego.

Portanto, é crucial diferenciar: instabilidade não é vulnerabilidade. O cenário técnico se assemelha muito mais a “portas travadas” do que a “portas abertas” para hackers.

O que diz a empresa

A companhia reconheceu o incidente rapidamente. Segundo informações repassadas pela Bloomberg, o site da empresa indicava investigações em curso e manutenção programada em áreas específicas do suporte ao cliente. Em comunicado oficial, a empresa manteve a transparência sobre a gravidade da situação:

“A Cloudflare está enfrentando uma degradação interna de serviço. Alguns serviços podem ser afetados de forma intermitente. A empresa está focada em restaurar o serviço. Novas atualizações serão divulgadas conforme o problema for mitigado.”

A empresa reforçou que trabalha para entender a extensão do impacto e mitigar os problemas causados por essa falha na Cloudflare.

Histórico de quedas e impacto no mercado

Essa não é a primeira vez que uma falha na Cloudflare derruba parte da internet. Com uma base de clientes que abrange 24 milhões de sites, qualquer “soluço” em seus 19 data centers globais gera repercussão imediata.

  • Julho de 2019: Um bug fez a rede consumir recursos internos excessivos, deixando sites como Discord, Shopify e Dropbox offline por 30 minutos.
  • Junho de 2022: Uma interrupção de 1h30 afetou o tráfego global da empresa.

O mercado financeiro reagiu negativamente à instabilidade desta terça-feira. As ações da Cloudflare registraram uma queda de 3,6% nas negociações pré-mercado. Além dos serviços de tecnologia, o site da agência de classificação de risco Moody’s também exibiu mensagens de “erro de servidor”.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 18/11/2025
  • Fonte: FERVER