Fábrica em presídio de Pirajuí produz 6 mil calçados por dia
Uma fábrica instalada dentro da penitenciária de Pirajuí emprega 190 detentos na produção diária de 6 mil pares de calçados de segurança
- Publicado: 21/06/2026 16:17
- Alterado: 21/06/2026 16:17
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Agência SP
Uma parceria estratégica firmada entre a Penitenciária II “Luiz Gonzaga Vieira” de Pirajuí, a Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel” (Funap) e a empresa Bracol tem transformado o ambiente prisional no interior paulista através do trabalho. Atualmente, uma fábrica de calçados de segurança instalada em uma área de 1.104 metros quadrados dentro do presídio opera em capacidade máxima, empregando 190 pessoas privadas de liberdade.
A oficina registra uma produção média diária de 6 mil pares de calçados, com projeção técnica para expandir o volume para até 7 mil pares por dia. Os produtos confeccionados pelos reeducandos abastecem uma carteira de aproximadamente 2.300 clientes em todo o território nacional.
Remuneração, Remição e Critérios de Seleção

Os contratos de trabalho são gerenciados pela Funap, seguindo os parâmetros estabelecidos pela Lei de Execução Penal (LEP). O modelo garante aos detentos contrapartidas financeiras e jurídicas:
- Pagamento: O trabalhador recebe o equivalente a três quartos do salário mínimo vigente;
- Remição de Pena: A cada três dias de expediente cumpridos na linha de produção, um dia é abatido do total da condenação judicial;
- Processo Seletivo: As vagas são preenchidas após entrevistas individuais que avaliam o histórico profissional do candidato e, obrigatoriamente, seu bom comportamento disciplinar dentro do pavilhão.
Após a aprovação, os selecionados passam por um período de treinamento técnico para operar o maquinário industrial e são distribuídos pelas funções da linha de montagem.
Expansão do Modelo de Ressocialização

“Parcerias como essa nos dão a certeza de que estamos contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e produtiva”, avaliou o superintendente da Funap, Paulo Henrique Coltre, ao destacar a importância da qualificação para o retorno ao mercado de trabalho.
O impacto social do projeto também reflete na economia familiar dos detentos, que utilizam a remuneração para apoiar seus parentes externamente. Devido aos resultados produtivos e disciplinares obtidos, o modelo foi replicado: a Bracol mantém uma segunda unidade fabril na Penitenciária I “Dr. Walter Faria Pereira de Queiróz”, também em Pirajuí, onde outros 83 presos atuam no mesmo segmento de equipamentos de proteção individual.