Fabiano Caruana é o campeão do Circuito Internacional de Xadrez
Fabiano Caruana vence o Grand Chess Tour 2025 em São Paulo, recebendo US$ 150 mil e destacando a grande presença de público
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 04/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Em um marco histórico para o xadrez na América do Sul, o norte-americano Fabiano Caruana, de 33 anos e atual terceiro colocado no ranking mundial, conquistou o título do Grand Chess Tour (GCT) 2025. O evento, que ocorreu no dia 3 de novembro no WTC em São Paulo, teve como adversário na final o francês Maxime Vachier-Lagrave, de 34 anos, que ocupa a 17ª posição na lista da Federação Internacional de Xadrez (FIDE).
Com sua vitória, Caruana levou para casa um prêmio de US$ 150 mil (equivalente a R$ 780 mil), enquanto o total de prêmios distribuídos durante as finais foi de US$ 350 mil (cerca de R$ 1,9 milhão).
A edição deste ano do Grand Chess Tour incluiu etapas preliminares na Polônia, Romênia, Croácia e Estados Unidos, com os melhores classificados avançando para a fase final em São Paulo.
O torneio também contou com a participação do indiano Praggnanandhaa Rameshbabu, que ocupa a 5ª posição no ranking mundial e foi derrotado por Vachier-Lagrave nas semifinais. Levon Aronian, da Armênia e atualmente na 23ª posição do mundo, perdeu para Caruana na outra semifinal.
Caruana, que se tornou o mais jovem Grande Mestre dos Estados Unidos aos 14 anos em 2007, expressou sua surpresa com a grande quantidade de torcedores brasileiros que compareceram ao evento. “Acho que é a maior multidão que já vi em praticamente qualquer evento, fora talvez do Campeonato Mundial”, comentou o vencedor.
Levon Aronian também destacou o entusiasmo do público: “O público é muito ativo e atencioso”, observou o armênio, que conseguiu garantir o terceiro lugar após vencer Praggnanandhaa.
Após a vitória, Caruana ressaltou que sua partida contra Vachier-Lagrave foi marcada por uma intensa batalha psicológica. “Não foi tanto sobre estilos de jogo, mas sim sobre espírito de luta e psicologia”, explicou o Grande Mestre, que conseguiu reverter uma situação desfavorável ao longo das partidas rápidas e clássicas.
O torneio, iniciado oficialmente em 28 de outubro, esgotou os ingressos e registrou cerca de 74 mil espectadores assistindo simultaneamente online. A organização ficou satisfeita com a presença maciça dos fãs. Davy D’Israel, fundador da Xeque & Mate — empresa responsável pela promoção do evento — celebrou a diversidade do público presente. “Pessoas vieram dos quatro cantos do país para assistir”, afirmou.
D’Israel atribuiu parte do crescente interesse pelo xadrez à popularidade gerada nas redes sociais e à série “O Gambito da Rainha” da Netflix, que fez aumentar exponencialmente o número de usuários em aplicativos relacionados ao jogo no Brasil. Durante os eventos paralelos da semana, como torneios infantis e competições para amadores, houve uma grande adesão. “Tivemos 200 crianças competindo [no torneio infantil], mas poderíamos ter acomodado até 500”, lamentou D’Israel devido às limitações logísticas.
O tema da desigualdade de gênero no xadrez foi discutido durante o evento por alguns participantes. A Grande Mestre ucraniana Anastasiya Karlovich destacou a discrepância no número de mulheres jogadoras como um desafio a ser superado para aumentar a popularidade da modalidade. “Ainda temos menos meninas jogando do que homens; geralmente é uma mulher para cada dez homens”, afirmou Karlovich.
Ela sugeriu a criação de mais torneios exclusivos para mulheres e centros de referência como estratégias para incentivar maior participação feminina. D’Israel também comentou sobre a necessidade urgente de um ídolo nacional no xadrez brasileiro para promover um aumento significativo no interesse pelo esporte: “Se tivermos uma criança que se destaque e ganhe um título mundial, isso atrairá muitos novos jogadores”, comparando com os impactos gerados por figuras como Guga Kuerten no tênis.
Embora o Brasil conte atualmente com 14 jogadores detentores do título de Grande Mestre, eles enfrentam desafios relacionados ao reconhecimento público e falta de patrocínio. D’Israel enfatizou que muitos deles precisam buscar oportunidades na Europa para evoluir em suas carreiras.