Fabiana Claudino é vítima de racismo em Minas
Capitã da seleção brasileira de vôlei e bicampeã olímpica atleta alega ter sido chamada de "macaca" por um torcedor na Arena Minas, na noite da última terça-feira
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 16/08/2023
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
“Vivenciar isso é difícil e duro! Vivenciar isso na minha terra, torna tudo pior! Ontem durante o jogo contra o Minas, um senhor disparava uma metralhadora de insultos racistas em minha direção. Era macaca quer banana, macaca joga banana, entre outras ofensas. Esse tipo de ignorância me atingiu especialmente, porque meus familiares estavam assistindo a partida. Ele foi prontamente retirado do ginásio pela direção do Minas Tênis Clube e encaminhado à delegacia. Agradeço a atitude do Minas, em não ser conivente com esse absurdo. Clube este, onde comecei a minha história e onde até hoje tenho pessoas queridas. Refleti muito sobre divulgar ou não, mas penso que falar sobre o racismo ajuda a colocar em discussão o mundo em que vivemos e queremos para nossos filhos. Eu não preciso ser respeitada por ser bicampeã olímpica ou por títulos que conquistei, isso é besteira! Eu exijo respeito por ser Fabiana Marcelino Claudino, cidadã, um ser humano. A realidade me mostra que não fui a primeira e nem serei a última a sofrer atos racistas, mas jamais poderia me omitir. Não cabe mais tolerarmos preconceitos em pleno século XXI. A esse senhor, lamento profundamente que ache que as chicotadas que nossos antepassados levaram há séculos, não serviriam hoje para que nunca mais um negro se subjugue à mão pesada de qualquer outra cor de pele. Basta de ódio! Chega de intolerância!”, desabafa Fabiana na página de sua rede social
MINAS TÊNIS CLUBE E SESI-SP SE SOLIDARIZAM COM FABIANA
“São inadmissíveis atos de racismo como o que ocorreu com a nossa atleta Fabiana Claudino, durante o jogo entre o Sesi-SP e a Camponesa/Minas na noite da última terça-feira, em Belo Horizonte.
É com indignação que, em nome da indústria, lamentamos esse vergonhoso fato. Numa sociedade democrática e igualitária, é preciso ser intolerante com esses episódios e repudiar qualquer tipo de preconceito.
Como cidadão e presidente do Sesi-SP, sinto-me ofendido e estarrecido com esse tipo de comportamento em pleno século 21.
Lamento o fato e reitero o orgulho de termos em nossa equipe uma atleta como Fabiana, que representa com talento e maestria as cores da nossa instituição e as cores do Brasil.
O episódio precisa ser investigado pelas autoridades competentes e sua punição levada às últimas consequências. O racismo é um crime que deve ser punido e combatido por todos os cidadãos brasileiros. ”.
Paulo Skaf – Presidente Sesi SP
“O Minas Tênis Clube lamenta e repudia o ato de racismo ocorrido nessa terça-feira, durante a partida contra o Sesi-SP, pela Superliga Feminina de Vôlei. O Minas é absolutamente avesso a quaisquer manifestações discriminatórias, contrárias aos princípios e valores praticados pelo Clube.
Todas as medidas cabíveis foram imediatamente tomadas pela segurança do Minas, que retirou o agressor do ginásio e acionou a Polícia Militar.
O Minas se solidariza com a atleta Fabiana, formada nas categorias de base do Clube. Atitudes racistas como esta são frutos de atitudes isoladas e não representam o respeito que a torcida minastenista sempre demonstrou para com equipes visitantes.”, diz o comunicado.