Exposição de Ricardo Amadasi abre comemorações de aniversário do MAP

Museu de Arte Popular de Diadema chega os 15 anos de fundação com a expectativa de reviver os tempos áureos

Crédito: Mauro Pedroso / PMD

Será aberta nesta quinta-feira (6), às 19h30, no Museu de Arte Popular (MAP) de Diadema a exposição ‘Um Brasil Possível’, do artista plástico Ricardo Amadasi. A mostra é formada por 26 pinturas em madeira sob o olhar para a situação atual do país, onde os direitos humanos têm sido constantemente colocados à prova. “São trabalhos recentes, os últimos três ou quatro anos, sendo a maior parte deles feita ainda em 2022”, explicou o artista.

Os trabalhos abordam a fé, a esperança, “de um ponto de vista sociológico”, frisou o artista. Aos 76 anos, quase 50 deles vividos no Brasil, Ricardo Amadasi é argentino e volta a Diadema com a exposição que abre as comemorações dos 15 anos do MAP, museu que ele ajudou a criar. “Me inscrevi para um edital dos pontos de cultura e conseguimos os recursos para a instalação”, relembrou.

Foi nessa época que o artista, já acostumado a viajar pelo Brasil – fugindo da ditadura na Argentina, estava a caminho da Europa em 1966 quando em uma escala em Salvador se apaixonou por tudo o que viu e ficou – foi em busca do acervo que viria a formar o MAP. À época, o maior acervo de cultura popular do Estado de São Paulo.

Filho de italianos, o pai anarquista e artista plástico, a mãe socialista e atriz de teatro, Ricardo chegou a ser presidente do Centro Acadêmico da Faculdade de Belas Artes de Buenos Aires. Foi preso e torturado, passou cinco anos no cárcere e conta que teve sua vida marcada definitivamente por isso. “Isso me levou a lutar por mudança e transformação social e é pela arte que busco fazer isso”, afirmou.

Em 2015, o MAP chegou a mudar de endereço, sendo transferido do seu local de origem, o Centro Cultural Diadema (CCD), para um imóvel na Rua Professora Vitalina Caiafa Esquível, no Centro. À época, houve forte resistência do setor cultural da cidade, contrário à mudança. Em 2020, o equipamento retornou para a Rua Graciosa, 300, onde atualmente ocupa metade do espaço original.

A expectativa é que com a mudança da Biblioteca Oliria de Campos Barros para o prédio do novo Centro de Formação Lisete Arelaro, que está em fase de implementação, o acervo possa ocupar todo o andar superior do complexo cultural. “Voltando ao lugar de origem, penso que o Museu está pronto para viver uma grande fase, como foi no seu começo”, afirmou Ricardo. O artista mora em São Bernardo há 30 anos.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 06/10/2022
  • Fonte: FERVER