Exportações de café do Brasil enfrentam desafios com prejuízos significativos
Exportações de café do Brasil caem R$ 5,9 milhões em agosto devido a problemas logísticos. Porto de Santos é o mais afetado, com 78,7% das sacas retidas.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 11/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
Em um recente relatório divulgado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), foi revelado que, no mês de agosto, o setor exportador brasileiro de café sofreu um impacto negativo expressivo, contabilizando perdas de R$ 5,9 milhões. Essa situação é atribuída à impossibilidade de embarque de 624.766 sacas do produto nos portos do país, sendo o Porto de Santos, localizado no litoral paulista, o mais afetado, concentrando 491.731 das sacas não embarcadas.
A cifra mencionada representa alarmantes 78,7% do total de cargas não embarcadas em todo o Brasil durante o mês em questão. A tabela abaixo ilustra a distribuição das sacas que ficaram retidas:
Local Volume (Sacas de 60 kg) Contêineres Participação (%) Santos (SP) 491.731 1.490 78,7% Rio de Janeiro (RJ) 66.822 202 10,7% Sepetiba (RJ) 23.693 72 3,8% Vitória (ES) 42.520 129 6,8% Total 624.766 1.893 100%
A falta de embarque resultou em uma perda significativa para a receita cambial brasileira, estimada em US$ 221,28 milhões (equivalente a R$ 1,205 bilhão), considerando um preço médio Free on Board (FOB) de US$ 354,18 por saca e a média da cotação do dólar em R$ 5,4463.
A situação crítica enfrentada pelo setor é reflexo direto de gargalos logísticos e da inadequação da infraestrutura portuária nacional. Eduardo Horen, diretor técnico do Cecafé, destacou que a tendência é que os problemas se intensifiquem nos próximos meses caso não sejam realizados investimentos necessários nos portos brasileiros.
“O agronegócio cresce a taxas expressivas, mas a infraestrutura portuária não tem acompanhado essa evolução”, afirmou Horen. Ele enfatizou que os prejuízos são ainda mais acentuados para exportadores que dependem de contêineres.
No Porto de Santos, por exemplo, 67% dos navios enfrentaram atrasos ou alterações nas escalas apenas no mês de agosto, com alguns esperando até 47 dias para atracar.
A proposta do Cecafé para melhorar a situação inclui um contato ativo com entidades e autoridades públicas e privadas para discutir as preocupações levantadas e buscar melhorias na logística portuária. Horen também comentou sobre as restrições propostas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) no leilão do terminal Tecon Santos 10, alertando que isso poderia resultar em atrasos adicionais e judicialização do processo licitatório.
A Autoridade Portuária de Santos (APS), responsável pela infraestrutura do porto, declarou estar comprometida com a manutenção e aprimoramento das instalações. Em nota, ressaltou que o Porto de Santos tem conseguido registrar movimentações recordes de carga apesar das crises logísticas globais.
A APS também mencionou planos para aumentar a capacidade do porto através da implementação do terminal Tecon Santos 10 e o aprofundamento do canal de navegação para permitir a entrada de navios maiores sem interrupções devido às condições de maré.
No entanto, Horen afirmou que o recente aumento das tarifas pelos Estados Unidos não está diretamente relacionado aos prejuízos enfrentados pelos exportadores brasileiros. Ele argumentou que os problemas decorrem principalmente da defasagem na infraestrutura portuária nacional.
Diante desse panorama desafiador, especialistas e autoridades continuam buscando soluções para reverter essa crise no setor exportador brasileiro de café e garantir que o Brasil possa recuperar sua posição como líder mundial na produção desse produto essencial.