Expo Brasil Paralímpico destaca inclusão e tecnologia assistiva

Evento reuniu atletas paralímpicos, instituições e projetos de inovação que promovem autonomia e acessibilidade para pessoas com deficiência em diversas áreas

Crédito: Suzana Rezende / ABCdoABC

A Expo Brasil Paralímpico reuniu instituições, atletas e especialistas em tecnologia assistiva para discutir avanços na inclusão e na acessibilidade. O evento apresentou desde equipamentos esportivos adaptados até soluções tecnológicas desenvolvidas no Brasil, mostrando que a inclusão vai muito além da prática esportiva envolve também autonomia, educação e participação social.

Entre os expositores da Expo Brasil Paralímpico, a Fundação Laramara destacou o papel da tecnologia assistiva no cotidiano das pessoas com deficiência visual. O coordenador de tecnologia assistiva, Paulo, explicou que o conceito abrange qualquer produto, serviço ou adaptação que ajude a “transpor as dificuldades que a deficiência causa na vida da pessoa, para fazer todas as atividades da vida cotidiana, seja na vida pessoal, na cultura, na viagem, no deslocamento, tudo com a maior facilidade e de forma inclusiva”.

Produção nacional e desafios da acessibilidade

Expo Brasil paralímpico
Suzana Rezende / ABCdoABC

Durante a feira, Paulo apresentou produtos desenvolvidos pela Laramara, como máquinas de datilografia em braille, brinquedos pedagógicos e bengalas adaptadas. A instituição fabrica esses itens no Brasil, buscando fortalecer a produção nacional.

“Produzimos a máquina 100% aqui no Brasil, com tecnologia brasileira, e também distribuímos bengalas brancas para pessoas com deficiência visual e verdes para pessoas com baixa visão”, afirmou.

Esses equipamentos, segundo ele, têm papel fundamental na educação e na autonomia das crianças com deficiência visual. Além disso, a Laramara também importa tecnologias complementares, como relógios e balanças falantes, calculadoras adaptadas e impressoras braille. O coordenador ressalta, porém, que a produção local ainda é limitada e depende de investimentos públicos e privados.

“Não existe tanta produção nacional de produtos de tecnologia assistida focando a pessoa com deficiência visual”, observou. “A maioria dos produtos vem do exterior, mas fazemos adaptações e desenvolvemos soluções para o dia a dia com o que temos disponível.”

O papel da inteligência artificial

Expo Brasil paralímpico
Suzana Rezende / ABCdoABC

A discussão sobre o uso da inteligência artificial (IA) também esteve presente na Expo Brasil Paralímpico. Segundo Paulo, embora a tecnologia traga benefícios, há uma percepção equivocada sobre seu alcance. “As pessoas têm uma ideia muito mal formada, muito mal comunicada por quem vende essa tecnologia, falando que ela faz tudo e resolve tudo, e isso não é o caso”, explicou.

Ele destacou que, em alguns casos, a IA pode apoiar tarefas simples do cotidiano, como leitura de documentos ou identificação de correspondências. No entanto, não substitui ferramentas pedagógicas tradicionais.

“Para ensinar a criança a ler e escrever, elas não servem de forma humana. Precisamos continuar utilizando máquinas de grafite, reglete, impressoras e displays braille. A IA complementa, mas não substitui.”

Para Paulo, a continuidade de tecnologias já consolidadas é essencial para garantir o aprendizado e a autonomia das crianças com deficiência visual. “É preciso afastar essa ideia de que a IA torna essas coisas obsoletas. É totalmente o contrário”, concluiu.

Histórias que inspiram: o olhar dos atletas

Além das inovações tecnológicas, o evento também deu espaço para atletas paralímpicos compartilharem suas trajetórias. Uma das entrevistadas, que participa do evento pela segunda vez, contou como conheceu o esporte paralímpico e o impacto que isso teve em sua vida.

“Eu comecei a competir na época dos jogos escolares. Depois, já com uns 18 anos, fazia corrida de rua. O esporte paralímpico eu vim conhecer em 2007, quando duas amigas me apresentaram”, relatou.

Para ela, a feira é um espaço essencial para aproximar o público da realidade das pessoas com deficiência. “É um espaço incrível pra mostrar pra outras pessoas como se adaptar no dia a dia. Pra quem não tem deficiência, é uma oportunidade de conhecer mais essa fase de adaptação.”

A atleta destacou ainda a importância da visibilidade e da valorização das histórias por trás do esporte. “As pessoas são incríveis. Se você vier conhecer eles, vai adorar, porque cada um tem uma história incrível a ser contada.”

Educação, esporte e cidadania

Expo Brasil paralímpico
Suzana Rezende / ABCdoABC

A Expo Brasil Paralímpico reforçou a interconexão entre educação, esporte e cidadania. Ao reunir entidades como a Laramara, atletas e representantes de diferentes áreas, o evento evidenciou que o desenvolvimento de políticas públicas e o incentivo à inovação são fundamentais para garantir inclusão efetiva.

As discussões mostraram que o avanço tecnológico, quando aliado à escuta ativa das pessoas com deficiência, pode transformar realidades. O uso de softwares gratuitos, como o NVDA, foi citado como exemplo de acessibilidade democratizada. “Hoje, o custo disso é barato, na maioria é gratuito. Todos os celulares agora vêm com o software gratuito, que torna os celulares totalmente acessíveis para pessoas com deficiência”, explicou Paulo.

A feira também apresentou jogos adaptados, bolas com guizo e sistemas de videoampliação voltados a pessoas com baixa visão. Esses equipamentos ampliam o acesso ao esporte e à cultura, reforçando o compromisso da sociedade com a inclusão plena.

Um passo a mais na inclusão

Mais do que uma vitrine de produtos e performances, a Expo Brasil Paralímpico se consolidou como um espaço de diálogo e conscientização. O evento mostrou que a inclusão é resultado de um esforço coletivo — que passa pela tecnologia, mas também pela educação e pela convivência.

Como destacou um dos participantes, “cada pessoa tem uma história incrível a ser contada”. A feira reafirmou que essas histórias merecem ser ouvidas, valorizadas e transformadas em políticas e práticas que garantam acessibilidade e dignidade para todos.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 10/11/2025
  • Fonte: Sorria!,