Expectativas econômicas sofrem ajustes após aumento da taxa de juros
Expectativa para a expansão da economia cai de 1,99% para 1,98%
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 24/03/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Com a recente elevação da taxa básica de juros para 14,25% ao ano, as previsões do mercado financeiro para o crescimento econômico e o índice de inflação em 2025 foram revisadas para baixo. Os dados foram divulgados pelo Boletim Focus, publicado nesta segunda-feira (24) em Brasília, uma pesquisa que semanalmente apresenta as expectativas de instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos.
A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023 foi ajustada de 1,99% para 1,98%. No que tange a 2026, a expectativa para o PIB se manteve em 1,6%, enquanto que as estimativas para os anos seguintes indicam um crescimento de 1,9% em 2027 e 2% em 2028.
O desempenho econômico de 2024 mostra um crescimento de 3,4%, marcando assim o quarto ano consecutivo de expansão e sendo a maior alta desde 2021, quando o PIB teve um aumento de 4,8%.
A previsão para a cotação do dólar aponta para R$ 5,95 até o final deste ano, com uma expectativa de que a moeda norte-americana chegue a R$ 6 ao término de 2026.
No que diz respeito à inflação, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o indicador oficial da inflação no Brasil, foi levemente reduzida de 5,66% para 5,65% neste ano. Para 2026, houve um aumento na projeção da inflação de 4,48% para 4,5%, enquanto que as previsões para 2027 e 2028 estão fixadas em 4% e 3,78%, respectivamente.
Vale destacar que a estimativa para 2025 supera o teto da meta inflacionária estabelecida pelo Banco Central. O Conselho Monetário Nacional definiu uma meta de inflação de 3%, com uma margem de tolerância de até 1,5 ponto percentual. Assim, os limites inferior e superior são fixados em 1,5% e 4,5%, respectivamente.
Em fevereiro, a inflação oficial apresentou um aumento de 1,31%, impulsionada principalmente pela alta nos preços da energia elétrica. Esse resultado representa o maior índice desde março de 2022 e é também o mais elevado registrado em fevereiro desde 2003. Ao longo dos últimos doze meses, o IPCA acumulou uma alta de 5,06%.
O Banco Central utiliza a taxa Selic como seu principal instrumento para controlar a inflação. A taxa foi fixada em 14,25% pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que justificou este aumento pela pressão inflacionária proveniente dos preços elevados dos alimentos e da energia e pelas incertezas que permeiam a economia global.
No último encontro do Copom, foi anunciado um quinto aumento consecutivo da Selic em um ciclo que visa contrair a política monetária. O comitê afirmou que apesar da economia brasileira demonstrar sinais de aquecimento moderado, as pressões inflacionárias permanecem elevadas.
Sobre as futuras reuniões do Copom, foi indicado que as elevações na taxa Selic ocorrerão com menor intensidade na próxima reunião marcada para maio. Não foram fornecidas pistas sobre os passos subsequentes.
As expectativas do mercado financeiro são de que até o fim deste ano a taxa básica atinja os 15% ao ano. As projeções para os anos seguintes indicam reduções: esperam-se taxas de 12,5%, 10,5% e 10% ao ano para os anos de 2026, 2027 e 2028, respectivamente.
O aumento da Selic visa conter uma demanda aquecida e impacta diretamente os preços. Juros mais altos tendem a encarecer o crédito e estimular a poupança. Entretanto, além da Selic, outros fatores como risco de inadimplência e custos administrativos também influenciam na definição das taxas aplicadas pelos bancos aos consumidores. Essa dinâmica pode dificultar ainda mais o crescimento econômico.
Por outro lado, uma redução na Selic normalmente resulta na diminuição dos custos do crédito, incentivando tanto a produção quanto o consumo e potencialmente desafiando o controle sobre a inflação ao mesmo tempo em que estimula a atividade econômica.