Expectativa de inflação cai novamente
Selic sobe e PIB cresce, mas desafios econômicos ainda persistem
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 07/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
As expectativas do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador oficial da inflação no Brasil, apresentaram uma nova redução, passando de 5,2% para 5,18% em 2025. Este ajuste representa a sexta diminuição consecutiva nas projeções, conforme divulgado no Boletim Focus nesta segunda-feira (7), em Brasília. Esta pesquisa é realizada semanalmente pelo Banco Central (BC) e reflete as previsões das instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos.
As projeções para anos futuros mostram estabilidade em relação a 2026, mantendo a expectativa de inflação em 4,5%. Para os anos de 2027 e 2028, as previsões são de 4% e 3,8%, respectivamente.
Importante ressaltar que a estimativa para 2025 ultrapassa o limite superior da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), essa meta é de 3%, com um intervalo de tolerância que varia entre 1,5 ponto percentual acima e abaixo, estabelecendo assim um limite inferior de 1,5% e superior de 4,5%.
Em maio deste ano, a inflação oficial foi registrada em 0,26%, evidenciando uma desaceleração em comparação ao IPCA de abril, que foi de 0,43%. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice acumula um total de 2,75% até o momento no ano e 5,32% nos últimos doze meses.
Taxa de Juros
O Banco Central utiliza a taxa Selic como principal ferramenta para alcançar a meta de inflação. Atualmente fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), essa taxa tem sido objeto de aumento recente devido às incertezas econômicas. Na última reunião do colegiado, houve uma elevação de 0,25 ponto percentual, marcando o sétimo aumento consecutivo dentro do ciclo de aperto monetário.
No comunicado da reunião, o Copom indicou que pretende manter os juros nesse patamar nas próximas reuniões enquanto avalia os impactos do aumento da Selic sobre a economia. No entanto, não descartou a possibilidade de novos aumentos caso a inflação apresente elevações indesejadas.
A decisão surpreendeu analistas financeiros que não previam tal aumento neste momento. Assim sendo, as expectativas para a taxa básica indicam que ela deve permanecer em 15% ao ano até o final de 2025. Para os anos seguintes, as previsões apontam uma redução gradual: para 12,5% em 2026; e posteriormente para 10,5% e 10% nos anos de 2027 e 2028.
Os ajustes na taxa Selic visam controlar uma demanda aquecida na economia. O aumento dos juros tende a encarecer o crédito e incentivar a poupança. Entretanto, além da Selic, os bancos também levam em consideração outros fatores ao definir as taxas cobradas dos consumidores, como risco de inadimplência e despesas administrativas. Portanto, taxas elevadas podem dificultar o crescimento econômico.
A redução da taxa Selic geralmente resulta na queda dos custos do crédito, incentivando tanto a produção quanto o consumo e promovendo um ambiente propício à atividade econômica.
Crescimento do PIB e Cotação do Dólar
A nova edição do Boletim Focus também trouxe atualizações sobre as projeções para o crescimento econômico brasileiro. A expectativa para este ano subiu levemente de 2,21% para 2,23%. Para os anos seguintes, a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) foi ajustada para uma leve queda em 2026, passando de 1,87% para 1,86%. Já para os anos de 2027 e 2028 espera-se uma expansão do PIB na ordem de 2% em ambos os períodos.
Com base nos dados do IBGE, a economia brasileira cresceu notavelmente no primeiro trimestre de 2025, impulsionada pela agropecuária, apresentando um crescimento de 1,4%. O PIB já havia registrado um crescimento significativo em 2024 com uma alta de 3,4%, marcando assim quatro anos consecutivos de expansão econômica – o melhor desempenho desde um crescimento de 4,8% observado em 2021.
A previsão atual para a cotação do dólar aponta que deverá se estabilizar em R$ 5,70 até o final deste ano. Para o final de 2026, estima-se que a moeda americana seja cotada em R$ 5,75.