Exames de rotina elevam detecção precoce do câncer de mama

Com recorde de exames de rotina, FIDI registra queda drástica em diagnósticos de câncer avançado e projeta estabilidade para 2026

Crédito: Gabriela Gonçalves / PMSCS

O cenário da saúde feminina no Brasil apresenta uma transformação histórica em 2025. Dados recentes da Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI) revelam que as mulheres brasileiras estão priorizando os exames de rotina, resultando em um recorde de 174.200 mamografias realizadas ao longo do ano. Com uma média mensal de 14 mil procedimentos, o país consolida uma mudança de comportamento: a transição do diagnóstico de urgência para a cultura da prevenção.

Adesão massiva e o novo perfil da paciente brasileira

mamografias - câncer de mama
Adriana Horvath

A maior concentração de procura pelos exames de rotina ocorre na faixa etária entre 50 e 54 anos, que registrou uma adesão impressionante de 96,6%. O principal motor desse volume é a mamografia de rastreamento, focada em identificar sinais precoces de câncer em mulheres assintomáticas.

Contudo, o crescimento não se restringe a essa fatia. O público entre 40 e 49 anos apresentou uma subida vertical, atingindo um pico de 25 mil atendimentos. Segundo a Dra. Vivian Milani, médica radiologista especialista em mamas da FIDI, essa ampliação é um passo estratégico fundamental para a saúde pública.

A maior incidência do câncer de mama está na faixa dos 40 aos 60 anos. Realizar o rastreamento nessas idades auxilia na detecção precoce, possibilitando chances de cura significativamente maiores“, explica a especialista.

Lei 15.284 e o avanço no acesso pelo SUS

SUS
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O fortalecimento dos exames de rotina no Brasil ganhou um respaldo jurídico crucial com a sanção da Lei nº 15.284, de 18 de dezembro de 2025. O texto assegura a todas as mulheres a partir dos 40 anos o direito de realizar a mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mesmo sem a presença de sintomas.

Essa medida alinha o protocolo nacional às melhores práticas internacionais e garante que o rastreamento não seja um privilégio, mas um direito acessível, permitindo que o tratamento, quando necessário, comece muito mais cedo.

Queda drástica nos diagnósticos de câncer avançado

A mudança na “persona de saúde” da mulher brasileira é visível nos indicadores clínicos. Em 2021, o panorama era alarmante: a maioria das pacientes chegava aos centros de diagnóstico com a doença em estágio avançado. Em 2025, o quadro inverteu-se.

Ao comparar os dados, a FIDI identificou uma redução drástica na categoria BI-RADS 6 — casos onde o câncer já está comprovado no momento do exame. O número despencou de 686 ocorrências para apenas 120 no último ano. Isso prova que as pacientes estão utilizando os exames de rotina para controle e não apenas como resposta a sintomas graves.

Projeções para 2026 e a força do Outubro Rosa

Outubro rosa
Divulgação/Freepik

Para o próximo ano, a FIDI projeta uma estabilidade no volume de atendimentos, estimando entre 170 mil e 175 mil exames. A tendência aponta para a manutenção de picos sazonais, especialmente em outubro. Em 2025, o “Outubro Rosa” registrou o maior volume da série histórica da instituição, com 19.104 exames realizados em um único mês.

A mamografia continua sendo a ferramenta mais eficaz para identificar nódulos, calcificações e assimetrias imperceptíveis ao toque. No entanto, a Dra. Vivian Milani ressalta que a prevenção deve ser um compromisso diário. Além de manter os exames de rotina em dia, o bem-estar depende de uma dieta equilibrada, exercícios físicos e atenção constante à saúde física e mental.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 19/02/2026
  • Fonte: Sorria!,