Ex-primeira-dama do Peru: Saiba quais são as acusações de Nadine que recebeu asilo do Brasil
Refugiada na Embaixada do Brasil em Lima, ex-primeira-dama peruana chega a Brasília após ser condenada por envolvimento em esquema de corrupção com a Odebrecht
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 18/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, desembarcou em Brasília nesta quarta-feira (16) após obter asilo diplomático do governo brasileiro. Ela se refugiou na Embaixada do Brasil em Lima após ser condenada a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro em um caso que envolve repasses ilegais da construtora Odebrecht e do governo do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez.
A saída do país foi autorizada por um salvo-conduto emitido pelo governo peruano.
Condenação e denúncias de financiamento ilícito
Heredia, que é casada com o ex-presidente peruano Ollanta Humala (2011–2016), foi considerada peça central em um esquema de recebimento e ocultação de recursos que teriam sido utilizados para financiar campanhas do Partido Nacionalista Peruano, fundado por ela e Humala.
As investigações apontam que o dinheiro teria vindo de forma irregular tanto da empreiteira brasileira quanto do regime chavista.
De acordo com o Ministério Público peruano, Heredia desempenhou papel estratégico na arrecadação dos valores e na organização das finanças partidárias. A apuração teve início em 2015, ainda durante o mandato de Humala.
Na época, foram apreendidas agendas que indicavam encontros com Jorge Barata, ex-representante da Odebrecht no Peru, além de supostas reuniões com Hugo Chávez. Inicialmente, Heredia negou ser autora das anotações, mas depois reconheceu parte do conteúdo.
Situação judicial e pedido de asilo
Enquanto Ollanta Humala foi detido logo após a sentença, Nadine Heredia optou por buscar refúgio diplomático. O governo brasileiro concedeu asilo humanitário, especialmente considerando o estado de saúde da ex-primeira-dama, diagnosticada com câncer.
Ela já havia solicitado autorização para tratamento no Brasil antes mesmo da condenação, mas o pedido foi negado pelas autoridades peruanas.
O filho mais novo do casal também recebeu asilo no Brasil. Já Humala foi transferido para uma unidade especial da polícia, destinada a ex-chefes de Estado envolvidos em escândalos de corrupção.
Contexto político e histórico
O caso de Nadine Heredia se insere em uma longa lista de investigações contra ex-presidentes peruanos. Além de Humala, nomes como Alejandro Toledo, Pedro Pablo Kuczynski e Alan García — que cometeu suicídio em 2019 ao ser alvo de mandado de prisão — também foram implicados em crimes relacionados ao caso Odebrecht.
A defesa de Humala sustenta que não houve recebimento de propinas e afirma que os recursos podem ter sido desviados por Jorge Barata. O advogado do ex-presidente considera a pena aplicada a Heredia desproporcional e anunciou que irá recorrer da decisão assim que houver sentença definitiva.
Apesar da gravidade das acusações, Nadine Heredia nega envolvimento em qualquer atividade ilegal e afirma ser vítima de perseguição política.