Ex-PM é preso por envolvimento com tráfico e lavagem de dinheiro no Rio
Ele usava empresa como fachada para movimentar R$ 600 mil em atividades ilícitas
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 24/03/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Na manhã desta segunda-feira, o ex-policial militar Ronny Pessanha de Oliveira, conhecido como “Caveira”, foi preso em uma operação realizada pela Delegacia de Roubos e Furtos. A detenção ocorreu na comunidade da Muzema, localizada na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde ele é investigado por supostamente treinar membros do tráfico ligados ao Comando Vermelho.
Além da acusação de treinamento de criminosos, Pessanha enfrenta suspeitas relacionadas à lavagem de dinheiro. De acordo com as autoridades, ele utilizava uma empresa de segurança patrimonial como fachada para movimentações financeiras irregulares. A investigação revelou que o ex-PM estaria envolvido em práticas violentas para controlar empreendimentos imobiliários nas regiões de Itanhangá e Rio das Pedras, empregando armamento pesado para expulsar moradores e assumir a posse de propriedades.
Ronny Pessanha já havia sido preso anteriormente, em 2024, por sua ligação com milícias atuantes em Rio das Pedras. O ex-militar serviu no 9º Batalhão da Polícia Militar (Rocha Miranda), no Batalhão de Operações Especiais (Bope) e no 41º BPM (Irajá) até ser expulso da corporação em setembro de 2023.
Felipe Curi, secretário da Polícia Civil do Estado, comentou sobre a operação e seu objetivo de conter a expansão do Comando Vermelho na área. Ele destacou o papel de Pessanha na facção criminosa: “Na Muzema, ele se envolveu na expulsão de moradores e trouxe outras pessoas para ocupar essas residências. Há suspeitas de que ele tenha participado da morte de dois indivíduos em condomínios locais”, afirmou Curi.
O delegado Jefferson Ferreira, responsável pela Delegacia de Roubos e Furtos, forneceu detalhes sobre como as atividades ilegais eram realizadas. “Ele mantinha uma empresa que não possuía funcionários registrados ou qualquer presença online que justificasse seus serviços. Recebemos denúncias sobre depósitos em espécie totalizando quase R$ 600 mil em apenas dois meses. Esse montante era proveniente de atividades ilícitas e era lavado através da conta da empresa como se fossem receitas legítimas”, explicou Ferreira.
Segundo o delegado, Pessanha mantinha comunicação direta com líderes do Comando Vermelho e contava com a colaboração de sua mãe, que atuava como sócia em suas operações fraudulentas. “Ela participava ativamente na ocultação patrimonial; um dos exemplos é um veículo avaliado em R$ 300 mil registrado em nome dela”, acrescentou Ferreira. As autoridades estão atualmente à procura da mãe do ex-PM.
A Justiça do Estado do Rio determinou o bloqueio de R$ 3 milhões que foram movimentados pela empresa de Pessanha em menos de um ano, além da apreensão dos veículos luxuosos sob sua posse.
Pessanha também é mencionado como proprietário de um dos edifícios demolidos durante uma operação conjunta entre o Ministério Público do Rio de Janeiro e a prefeitura na Muzema em 2021.
A ação contou com a colaboração da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Militar, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Vidigal.
A prisão foi efetuada por policiais civis e agentes da Subsecretaria de Inteligência.