Ex-ministro Aldo Rebelo alega intimidação por parte de Alexandre de Moraes
A tensão começou quando Moraes ameaçou prender Aldo após este responder a uma pergunta feita pelo próprio ministro
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 24/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
No último dia 23, durante uma audiência relacionada a uma ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado, o ex-ministro Aldo Rebelo acusou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de tentar intimidá-lo. Rebelo, que é testemunha de defesa do ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, expressou sua preocupação com a abordagem do magistrado durante o depoimento.
“O que ocorreu foi uma clara tentativa de intimidação de testemunha”, declarou Aldo em entrevista ao UOL. Ele ressaltou que, embora o juiz tenha a prerrogativa de desconsiderar um depoimento, não pode pressionar uma testemunha. “Um juiz pode não considerar um depoimento, mas pressionar uma testemunha é inaceitável”, completou.
A tensão começou quando Moraes ameaçou prender Aldo após este responder a uma pergunta feita pelo próprio ministro. O ex-ministro, que ocupou cargos nos governos Lula e Dilma Rousseff e atualmente está em Santarém (PA) participando de uma palestra, pediu desculpas públicas de Moraes. “Acho que ele deveria pedir desculpas. Pode não ter sido sua intenção naquele momento, mas pode fazê-lo posteriormente”, disse.
Aldo Rebelo, que se distanciou da esquerda nos últimos anos e se aproximou do bolsonarismo, foi nomeado secretário de Relações Internacionais do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), em 2024. Ao ser questionado sobre a possibilidade de receber um pedido de desculpas do ministro, ele afirmou: “Talvez, em algum momento, ele vá me pedir desculpas pelo ocorrido. É o que eu espero que aconteça”.
Durante seu depoimento, o ex-ministro da Defesa afirmou não ter sentido medo de prisão nem se sentir ameaçado por Moraes. Ele revelou ter encontrado o ministro do STF apenas em cerimônias oficiais e nunca teve interações prolongadas com ele.
Aldo tentou minimizar a atuação de Garnier na suposta tentativa de golpe. Durante seu depoimento, mencionou as “forças de expressão” relacionadas à frase dita por Garnier ao ex-presidente Bolsonaro durante uma reunião com os comandantes das Forças Armadas em novembro de 2022. Essa frase, que aludia a “colocar as tropas à disposição”, é um dos principais pontos da denúncia contra Bolsonaro.
O ex-ministro foi interrompido por Moraes quando este questionou se ele havia presenciado a reunião entre os militares e Bolsonaro; Aldo negou e foi instruído a se ater aos fatos. Em resposta à pressão do magistrado para manter a ordem na audiência, Aldo declarou: “Eu não admito censura”. Moraes então advertiu-o sobre as consequências de suas palavras e possíveis ações por desacato.
Após esse diálogo tenso, a defesa de Almir Garnier retomou as perguntas sem mais retornar à questão da expressão utilizada. Ao final da audiência, Aldo explicou aspectos da cadeia de comando na Marinha em resposta a uma indagação da defesa.
Moraes fez questão de manter a ordem na audiência e elogiou o currículo de Aldo após um advogado defender que a Marinha poderia conduzir um golpe sozinha. O procurador-geral Paulo Gonet também lembrou a Aldo que apenas advogados e o procurador são responsáveis pelas perguntas durante o processo.
Em um tom mais leve ao final da audiência, Moraes disse a Aldo que caso ele quisesse informações adicionais sobre os fatos discutidos, deveria ler sobre eles na imprensa posteriormente.