Ex-chefe do DOI-Codi é denunciado por homicídio

O Ministério Público Federal denunciou o ex-chefe do DOI-Codi, Audir Santos Maciel por homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver do militante político José Montenegro de Lima

Crédito: Marcos Alves / Agência O Globo / Arquivo 31/03/2014

A vítima, conhecida como Magrão, foi assassinada há 40 anos, em 29 de setembro de 1975 com uma injeção destinada ao sacrifício de cavalos.

O corpo do militante foi atirado nas águas do Rio Novo, em Avaré interior de São Paulo, e nunca foi encontrado, segundo a denúncia. O DOI-Codi (Destacamento de Operações Internas), atrelado à estrutura do antigo II Exército em São Paulo, ficou célebre como o núcleo de torturas da repressão.

José Montenegro de Lima era membro do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCB). À época do crime, ele havia recebido do partido US$ 60 mil para montar uma estrutura de produção alternativa do jornal Voz Operária, veículo oficial da legenda, visto que as gráficas do periódico no Rio e em São Paulo haviam sido desmanteladas pelos órgãos de repressão, segundo o Ministério Público Federal.

A Procuradoria afirma que “por terem sido cometidos em contexto de ataque sistemático e generalizado à população, em razão da ditadura militar brasileira, os delitos denunciados são qualificados como crimes contra a humanidade, sendo portanto, imprescritíveis e impassíveis de anistia”.

Depoimentos colhidos pelo MPF revelam que, para além da motivação política, a morte do militante teve “incentivo financeiro”. Segundo o ex-agente do regime militar Marival Chaves Dias do Canto, o DOI-Codi soube da quantia entregue a José Montenegro de Lima. “Por isso, uma equipe o prendeu e o matou para posteriormente ir à sua casa pegar o dinheiro. Os US$ 60 mil foram rateados entre a cúpula do Destacamento”, acusa a Procuradoria.

A pena prevista de Audir varia entre 12 e 30 anos de reclusão.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 16/08/2023
  • Fonte: FERVER