EUA reforçam teoria de que Covid-19 teve origem em laboratório na China

Site da Casa Branca sugere nova versão sobre o vírus, contrariando investigações da OMS e reacendendo debate internacional sobre a pandemia

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

No dia 18 de agosto, o governo dos Estados Unidos anunciou uma reformulação significativa em seu site oficial, apresentando uma nova perspectiva sobre a origem do coronavírus que causa a Covid-19. Esta mudança, implementada durante uma atualização do conteúdo digital da Casa Branca, marca uma ruptura com a narrativa anterior adotada na administração do ex-presidente Donald Trump.

Mudança de tom e reforço à teoria do vazamento

A nova versão do site, intitulada “Lab Leak — a verdade sobre as origens da Covid-19”, sugere que um “incidente laboratorial” é a origem mais provável do vírus, contradizendo a posição da Organização Mundial da Saúde (OMS). A OMS havia classificado essa hipótese como improvável em um relatório de 2021, embora tenha mantido as investigações abertas.

O redesign do site não apenas apresenta a imagem de Trump em destaque, mas também inclui argumentos que buscam apoiar a teoria do vazamento de laboratório. Um dos elementos destacados é um mapa que ilustra a proximidade entre o mercado de Wuhan e o laboratório de virologia, situado a cerca de sete quilômetros de distância.

A Casa Branca também direciona críticas ao Dr. Anthony Fauci, ex-assessor médico da administração anterior, acusando-o de favorecer uma única publicação científica que teria descredibilizado a hipótese do vazamento. No texto oficial, é afirmado que a publicação denominada “A Origem Proximal do SARS-CoV-2” foi impulsionada por Fauci com o intuito de promover a narrativa de que o vírus teve origem natural.

OMS sustenta hipótese zoonótica, mas investigação segue aberta

Entretanto, apesar dos esforços do governo americano para reforçar essa nova tese, ainda não há um consenso científico sobre as origens da pandemia. A OMS continua liderando as investigações internacionais e reconhece que os dados disponíveis até o momento são insuficientes para chegar a conclusões definitivas.

Um relatório divulgado pela OMS em 2021 apontou para a transmissão zoonótica – de animais para humanos – como a hipótese mais plausível. No entanto, em 2022, a entidade observou que a falta de acesso à informação por parte da China dificultou as conclusões sobre a origem do vírus.

Recentemente, em 2023, pesquisadores chineses apresentaram novos dados que mostram amostras coletadas no mercado de frutos do mar de Huanan – local considerado o epicentro inicial da pandemia – contendo material genético de animais selvagens e testando positivo para o coronavírus. Este estudo, revisado por pares, reafirma a teoria da origem natural do vírus.

A maioria das investigações publicadas desde então sustenta essa linha de raciocínio. Para a comunidade científica, existe um consenso sobre a transmissão zoonótica como mecanismo pelo qual o vírus passou para os seres humanos, embora os detalhes exatos desse processo ainda permaneçam obscuros.

A ausência de respostas definitivas alimenta teorias alternativas e possibilita que narrativas politicamente estratégicas, como as promovidas pela atual administração americana, ganhem espaço na discussão pública.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 18/04/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo