EUA colocam PCC e Comando Vermelho em lista de organizações terroristas
Governo americano equipara grupos criminosos brasileiros a facções globais. Medida gera forte preocupação diplomática na gestão federal.
- Publicado: 29/05/2026 07:14
- Alterado: 29/05/2026 08:48
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Casa Branca
O governo dos Estados Unidos anunciou a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de terroristas dos EUA. A medida entra em vigor no dia 5 de junho e equipara as facções brasileiras a organizações como Hamas, Al-Qaeda e Estado Islâmico.
Conhecida pela sigla FTO (Organizações Terroristas Estrangeiras), a intitulação aponta grupos envolvidos em atividades com capacidade e intenção de ameaçar a segurança nacional americana. A legislação permite ao governo aplicar sanções financeiras severas e asfixiar os recursos dessas redes criminosas.
O Congresso americano criou esse mecanismo legal em 1996, sob a gestão de Bill Clinton, por meio da Lei Antiterrorismo e de Pena de Morte Efetiva. As primeiras designações ocorreram no ano seguinte, estabelecendo o atual padrão global de enfrentamento de Washington.
Expansão da lista de terroristas dos EUA
Atualmente, existem 94 organizações que integram a lista do Departamento de Estado americano. As adições mais recentes focaram em cartéis latino-americanos e frentes armadas que atuam nas Américas.
| Organizações Estrangeiras Notáveis | Ano de Designação |
| Hamas, Hezbollah e Sendero Luminoso | 1997 |
| Al-Qaeda | 1999 |
| Estado Islâmico | 2004 |
| Cartel de Sinaloa e Tren de Aragua | 2025 |
| PCC e Comando Vermelho | 2026 |
A presença de grupos sul-americanos cresceu substancialmente no último ano. A inclusão da organização venezuelana Tren de Aragua e de diversos cartéis mexicanos pavimentou o caminho para a inclusão das facções brasileiras.
Justificativa de Washington e ação diplomática
O comunicado oficial norte-americano classifica as duas facções como as organizações criminosas mais violentas do país sul-americano. O documento destaca que essas redes comandam milhares de integrantes e executam ataques brutais contra civis, policiais e autoridades públicas.
“O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e cortar financiamento e recursos de narcoterroristas”, afirmou o secretário de Estado americano, Marco Rubio.
O chefe da diplomacia, Marco Rubio, argumentou que a atuação das quadrilhas brasileiras já ultrapassa as fronteiras originais e alcança outros países da região, representando um risco continental.
Reação do Palácio do Planalto aos Estados Unidos
A decisão americana pegou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva de surpresa. Fontes ligadas à diplomacia nacional confirmaram que o Executivo brasileiro não recebeu nenhum aviso prévio de Washington sobre a concretização da medida.
Integrantes do governo avaliam que a presença dos grupos na lista de terroristas dos EUA abre perigosa margem para operações intervencionistas no futuro. O temor central do Planalto é que os norte-americanos usem a designação como justificativa jurídica para conduzir operações militares dentro do território brasileiro, a exemplo do que já ocorreu em outras nações.
Especialistas em segurança pública rebatem a necessidade da tipificação estrangeira, pontuando que a legislação nacional contra o crime organizado prevê penas mais severas do que a própria lei antiterrorismo brasileira.