EUA colocam PCC e Comando Vermelho em lista de organizações terroristas

Governo americano equipara grupos criminosos brasileiros a facções globais. Medida gera forte preocupação diplomática na gestão federal.

Crédito: Arquivo/Agência Brasil

O governo dos Estados Unidos anunciou a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de terroristas dos EUA. A medida entra em vigor no dia 5 de junho e equipara as facções brasileiras a organizações como Hamas, Al-Qaeda e Estado Islâmico.

Conhecida pela sigla FTO (Organizações Terroristas Estrangeiras), a intitulação aponta grupos envolvidos em atividades com capacidade e intenção de ameaçar a segurança nacional americana. A legislação permite ao governo aplicar sanções financeiras severas e asfixiar os recursos dessas redes criminosas.

O Congresso americano criou esse mecanismo legal em 1996, sob a gestão de Bill Clinton, por meio da Lei Antiterrorismo e de Pena de Morte Efetiva. As primeiras designações ocorreram no ano seguinte, estabelecendo o atual padrão global de enfrentamento de Washington.

Expansão da lista de terroristas dos EUA

Atualmente, existem 94 organizações que integram a lista do Departamento de Estado americano. As adições mais recentes focaram em cartéis latino-americanos e frentes armadas que atuam nas Américas.

Organizações Estrangeiras NotáveisAno de Designação
Hamas, Hezbollah e Sendero Luminoso1997
Al-Qaeda1999
Estado Islâmico2004
Cartel de Sinaloa e Tren de Aragua2025
PCC e Comando Vermelho2026

A presença de grupos sul-americanos cresceu substancialmente no último ano. A inclusão da organização venezuelana Tren de Aragua e de diversos cartéis mexicanos pavimentou o caminho para a inclusão das facções brasileiras.

Justificativa de Washington e ação diplomática

O comunicado oficial norte-americano classifica as duas facções como as organizações criminosas mais violentas do país sul-americano. O documento destaca que essas redes comandam milhares de integrantes e executam ataques brutais contra civis, policiais e autoridades públicas.

O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e cortar financiamento e recursos de narcoterroristas”, afirmou o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

O chefe da diplomacia, Marco Rubio, argumentou que a atuação das quadrilhas brasileiras já ultrapassa as fronteiras originais e alcança outros países da região, representando um risco continental.

Reação do Palácio do Planalto aos Estados Unidos

A decisão americana pegou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva de surpresa. Fontes ligadas à diplomacia nacional confirmaram que o Executivo brasileiro não recebeu nenhum aviso prévio de Washington sobre a concretização da medida.

Integrantes do governo avaliam que a presença dos grupos na lista de terroristas dos EUA abre perigosa margem para operações intervencionistas no futuro. O temor central do Planalto é que os norte-americanos usem a designação como justificativa jurídica para conduzir operações militares dentro do território brasileiro, a exemplo do que já ocorreu em outras nações.

Especialistas em segurança pública rebatem a necessidade da tipificação estrangeira, pontuando que a legislação nacional contra o crime organizado prevê penas mais severas do que a própria lei antiterrorismo brasileira.

  • Publicado: 29/05/2026 07:14
  • Alterado: 29/05/2026 08:48
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Casa Branca