Embaixada dos EUA critica Moraes após condenação de Bolsonaro
Críticas ao STF e ameaças de sanções marcam novos desdobramentos nas relações bilaterais
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 12/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a embaixada dos Estados Unidos no Brasil emitiu uma série de críticas contundentes em relação ao processo judicial. As declarações, que incluem referências ao “uso da lei como arma política” e à “perseguição e censura” orquestradas pelo ministro Alexandre de Moraes, refletem uma crescente tensão nas relações bilaterais.
Entre os comentários destacados, o vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, utilizou a plataforma X para expressar seu descontentamento, afirmando que a atuação de Moraes compromete o Estado de Direito e coloca as relações entre Brasília e Washington em um estado crítico. “Os Estados Unidos condenam o uso da lei como arma política. Enquanto o Brasil deixar o destino dessa relação nas mãos do ministro Moraes, não vejo saída para esta crise”, afirmou Landau em sua postagem.
A representação diplomática dos EUA também republicou uma mensagem do gabinete do subsecretário de diplomacia pública do Departamento de Estado, que caracteriza a decisão do STF como um episódio sombrio e alerta para a seriedade com que Washington observa os desdobramentos. A nota menciona diretamente o histórico de Moraes, chamando-o de “violador de direitos humanos sancionado” e ressaltando que sua postura direciona ataques a Bolsonaro e seus apoiadores.
Essas manifestações se alinham com a postura adotada pelo governo Trump durante eventos similares. O presidente Donald Trump comparou sua própria situação — sendo réu em um caso penal nos Estados Unidos por suposta tentativa de subverter as eleições de 2020 — ao que ocorreu com Bolsonaro, evidenciando um padrão de perseguições políticas que ambos enfrentam.
Na sequência da decisão do STF, que resultou na condenação de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes como golpe de Estado e organização criminosa armada, Trump expressou surpresa com o veredicto. A defesa do ex-presidente brasileiro já declarou que considera a pena excessiva e planeja recorrer ao tribunal internacional.
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, também se manifestou contra o que descreveu como uma nova fase de “caça às bruxas” direcionada a Bolsonaro. Em um contexto mais amplo, durante o julgamento, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o governo Trump havia imposto tarifas e sanções ao Brasil em defesa da liberdade de expressão, destacando que Washington não hesitará em utilizar seu “poder econômico e militar” para protegê-la. Especialistas críticos à declaração consideraram suas implicações confusas e inadequadas.
Com a condenação de Bolsonaro, aliados do ex-presidente especulam sobre possíveis novas sanções por parte dos EUA contra autoridades brasileiras, incluindo membros do STF e representantes do governo federal. Entre as ações consideradas estão a restrição de vistos e sanções financeiras adicionais. Além disso, há discussões sobre suspender algumas das isenções concedidas pelo governo americano nas tarifas aplicadas a produtos importados do Brasil.
Anteriormente, durante o governo Trump, medidas foram tomadas para restringir a entrada nos EUA de Moraes e outros sete ministros do STF. O Procurador-Geral da República também teve seu visto suspenso, refletindo a profundidade das tensões existentes nas relações entre os dois países.