EUA aumentam recompensa por informações sobre Maduro

As autoridades norte-americanas acusam Maduro de ser um dos principais narcotraficantes globais.

Crédito: RS/Fotos Públicas

Os Estados Unidos decidiram aumentar a recompensa por informações que possam levar à prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de US$ 25 milhões para US$ 50 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 270 milhões. As autoridades norte-americanas acusam Maduro de ser um dos principais narcotraficantes globais.

O ex-presidente Donald Trump foi um crítico constante do governo venezuelano, especialmente após as eleições de janeiro que resultaram no retorno de Maduro ao cargo, eleições essas amplamente contestadas devido a alegações de fraude e repressão à oposição. A comunidade internacional rejeitou em grande parte os resultados desse pleito.

Embora exista um histórico de tensões entre os dois países, houve indícios recentes de uma possível aproximação pragmática, como evidenciado por uma troca de prisioneiros ocorrida em julho deste ano.

A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, declarou que o aumento na recompensa reflete a ligação direta de Maduro com atividades relacionadas ao tráfico de drogas. Em resposta à nova oferta, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yvan Gil, criticou a medida, chamando-a de “patética” e afirmando que se trata apenas de uma manobra política.

Gil também sugeriu que Bondi estava tentando desviar a atenção das críticas à sua atuação nas investigações sobre Jeffrey Epstein, um notório agressor sexual.

No primeiro mandato da administração Trump, o governo americano formalizou acusações contra Maduro e outros líderes venezuelanos, imputando-lhes crimes como narcoterrorismo e corrupção. Naquela ocasião, o Departamento de Justiça dos EUA alegou que Maduro colaborou com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) para usar cocaína como arma contra os Estados Unidos.

Em um vídeo divulgado na plataforma X no dia 7 de agosto, Bondi reforçou as acusações contra Maduro, ligando-o a organizações criminosas como o Tren de Aragua e o Cartel de Sinaloa. Segundo Bondi, a Agência Antidrogas dos EUA (DEA) apreendeu 30 toneladas de cocaína vinculadas a Maduro e seus associados, sendo quase sete toneladas diretamente atribuídas ao próprio presidente.

Nicolás Maduro, que assumiu o cargo em 2013 após a morte de Hugo Chávez e é líder do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), tem negado veementemente qualquer envolvimento com atividades narcotraficantes.

Recentemente, Hugo Carvajal, ex-chefe da inteligência militar venezuelana, foi condenado nos Estados Unidos por diversas infrações relacionadas ao tráfico de drogas. Capturado em Madri após fugir da Venezuela — onde havia solicitado apoio militar para derrubar Maduro — Carvajal inicialmente negou as acusações, mas acabou admitindo culpa, levantando especulações sobre um possível acordo com as autoridades americanas em troca de informações sobre Maduro.

A reação internacional ao governo de Maduro se intensificou com sanções impostas pelo Reino Unido e pela União Europeia após seu retorno ao poder neste ano.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 08/08/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo