EUA anunciam sanções ao Sudão após denúncias de uso de armas químicas

Medida reforça pressão internacional sobre Cartum em meio à guerra civil e crise humanitária que já deslocou milhões de civis sudaneses

Crédito: Divulgação/Freepik

Os Estados Unidos expressaram sérias preocupações em relação ao uso de armas químicas pelo governo do Sudão durante o conflito interno que se intensificou em 2024. Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira, 22 de junho, as autoridades americanas informaram que sanções serão implementadas nas próximas semanas, a partir do dia 6 de junho.

De acordo com o Departamento de Estado dos EUA, as sanções incluem restrições às exportações americanas para o Sudão e limitações no acesso a linhas de crédito governamentais. O governo americano ressaltou que espera que as autoridades sudanesas cessem imediatamente o uso dessas armas e cumpram seus compromissos internacionais.

Sudão nega acusações e condena medida americana

Em resposta, o governo sudanês, através de seu ministro da Informação Khalid al Aiser, refutou as acusações, classificando-as como infundadas e uma forma de “chantagem política”. O porta-voz reiterou que essa interferência por parte dos Estados Unidos deslegitima sua posição e “fecha portas para qualquer influência no Sudão”.

As sanções anunciadas pelos EUA podem ter um impacto limitado, visto que tanto o líder das Forças Armadas do Sudão quanto o comandante das Forças de Apoio Rápido (RSF) já estão sob restrições impostas anteriormente pelos Estados Unidos.

Conflito devastador e pressão internacional crescente

O Sudão enfrenta uma grave crise desde abril de 2023, resultado da luta pelo poder entre o general Abdel Fattah al Burhan e Mohammed Hamdan Daglo, líder das RSF. Este conflito resultou na morte de dezenas de milhares de pessoas e forçou cerca de 13 milhões a deixar suas residências. As Nações Unidas consideram a situação atual como “a mais severa crise humanitária do mundo”.

No início deste ano, os Estados Unidos impuseram sanções a al-Burhan devido à sua escolha pela confrontação militar em detrimento das negociações de paz. Além disso, membros das RSF foram acusados de genocídio, levando à sanção de parte da liderança desse grupo.

Informações divulgadas pelo New York Times, provenientes de altos funcionários do governo americano, indicam que o Exército sudanês utilizou armas químicas em pelo menos duas ocasiões durante os combates, com evidências sugerindo a presença de gás cloro nos armamentos utilizados. No entanto, detalhes sobre as circunstâncias exatas das alegações não foram especificados no comunicado oficial.

Um diplomata sudanês sugeriu que as acusações poderiam ser uma tentativa dos EUA para “desviar a atenção de pressões recentes no Congresso relacionadas aos Emirados Árabes Unidos”. Ele também criticou Washington por não solicitar a investigação da Organização para a Proibição de Armas Químicas sobre as alegações.

Recentemente, o governo sudanês rompeu relações diplomáticas com os Emirados Árabes, acusando-os de fornecer armamentos às RSF durante o conflito que começou após disputas sobre a integração das forças militares no país. Os Emirados negaram essas acusações e afirmaram que apoiam “esforços humanitários” na região.

Além disso, na última quinta-feira, parlamentares democratas americanos tentaram bloquear vendas de armas aos Emirados devido ao seu suposto envolvimento na guerra no Sudão. Em resposta às acusações feitas pelo governo sudanês sobre uma intervenção militar direta dos Emirados, este último negou qualquer responsabilidade e disse “condenar os ataques realizados contra Porto Sudão”.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 23/05/2025
  • Fonte: FERVER