Alunos da ETEC Jorge Street serão afetados por mudanças no Tarifa Zero

Mudanças nas diretrizes do Tarifa Zero, que restringirá o benefício apenas à moradores de São Caetano do Sul, irá onerar em até 50% alunos da ETEC Jorge Street.

Crédito: Divulgação

Diretores, corpo docente e alunos da ETEC Jorge Street manifestaram preocupação com as mudanças no programa Tarifa Zero, confirmado pela Prefeitura de São Caetano do Sul. A partir de março o benefíco do transporte gratuito se restringirá a apenas moradores da cidade, e não atenderá mais aos usuários de municípios vizinhos, como originalmente o programa atendia.

A contrariedade da diretoria da ETEC Jorge Street se dá, primeiramente pelo fato de a instituição estar instalada no município há mais de cinquenta anos qualificando a mão de obra do setor produtivo sancaetanense. Além disso, dados obtidos com exclusividade pelo diretor da instituição, Flávio Bento, 64% dos alunos são de outros municípios, sendo São Bernardo, Santo André e São Paulo.

Segundo o prefeito Tite Campanella, confirmado no final do ano passado, o valor da tarifa para quem não mora na cidade ainda não foi definido, mas deve ficar em torno de R$ 4,00.

De que maneira o programa Tarifa Zero beneficiava estudantes da ETEC Jorge Street?

Alunos de outras cidades de São Bernardo, Santo André e São Paulo que estudam na ETEC Jorge Street podem ser impactados - Eric Romero / PMSCS
Alunos de outras cidades de São Bernardo, Santo André e São Paulo que estudam na ETEC Jorge Street podem ser impactados – Eric Romero / PMSCS

Quando o programa Tarifa Zero foi implementado em novembro de 2023 garantia com que alunos de outras cidades possam circular em São Caetano sem impacto financeiro. “Hoje atendemos jovens de diversas classes sociais, os alunos não residentes em São Caetano do Sul, vem de diversas regiões carentes com o sonho de conquistar uma oportunidade profissional ao se formar em nossa unidade”.

“A restrição da Tarifa Zero em São Caetano impactará metade dos alunos da Etec Jorge Street. Alunos, professores e funcionários organizaram seus projetos de vida e planejamentos financeiros com base em uma política pública de acesso universal ao transporte gratuito. A imposição de custos imprevistos de deslocamento se torna um grande peso no orçamento familiar, fragiliza a frequência, o desempenho e a permanência escolar dos alunos da unidade. Precisamos olhar para o aluno antes de olhar para a catraca”, comenta o professor Bruno Castro. Aos alunos não moradores, o rendimento mensal é de até 3 salários mínimos.

“O grande desafio da administração pública é equilibrar a responsabilidade fiscal com a responsabilidade social. O transporte, enquanto direito social fundamental, é o instrumento viabilizador do acesso à educação. Como garantir a permanência e o futuro desses jovens se o caminho para a sala de aula se tornar um obstáculo financeiro? Buscaremos, junto à administração pública municipal, a manutenção do “Tarifa Zero” aos alunos e professores do Centro Paula Souza. Não podemos deixar ninguém para trás”, concluiu o professor.

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Questionado se há risco de evasão escolar, o diretor Flávio Bento esclareceu que o desestímulo pode acontecer a partir do momento em que a instituição está situado num bairro residencial, dificultando o deslocamento de alunos interessados em estudar na escola.

Como alternativa, ele entende que como a escola está em férias escolares seria o momento oportuno para pautar as primeiras reuniões com discentes e docentes. A permanência do benefíco do transporte gratuíto para os estudantes da ETEC Jorge Street seria importante uma vez que grande parte dos alunos da unidade, trabalham direta ou indiretamente na região e são mão de obra especializada.

Discussão nacional sobre a Tarifa Zero

Segundo comunidade estudantil da ETEC Jorge Street a medida vai na contra mão do que discute-se nacionalmente sobre a implementação do Tarifa Zero nacional, após o presidente Lula solicitar ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, estudos técnicos sobre subsídios federais para a implementação da tarifa zero em municípios brasileiros.

Segundo pesquisa realizada pela Universidade de Brasília (UnB) e USP (Universidade de São Paulo), de novembro de 2025, que é possível implementar a tarifa zero a partir de um fundo criado com a contribuição de empresas.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 22/01/2026
  • Fonte: FERVER