Estudo revela que desigualdades educacionais aumentaram no Brasil após pandemia

16% dos alunos do 9º ano têm aprendizado adequado em matemática

Crédito: Governo de São Paulo

A educação no Brasil continua a ser severamente afetada pelas consequências da pandemia de covid-19. Apesar dos avanços nos níveis de aprendizagem nos últimos anos, os dados ainda não mostram recuperação em relação aos padrões observados em 2019. Além disso, as disparidades já existentes foram exacerbadas, conforme evidenciado pelo estudo intitulado “Aprendizagem na Educação Básica: Situação Brasileira no Pós-Pandemia”, publicado nesta segunda-feira (28) pela organização Todos Pela Educação.

O relatório foi elaborado com base nos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que avalia o desempenho de estudantes do 5º e do 9º ano do ensino fundamental, além do ensino médio, em disciplinas como matemática e língua portuguesa. Os dados coletados em 2023 indicam que o desempenho dos alunos ainda não atingiu os níveis pré-pandemia.

O estudo destaca a urgência de fortalecer políticas públicas direcionadas à recuperação das aprendizagens e à diminuição das desigualdades educacionais, assegurando assim o direito à educação de qualidade para todos os brasileiros. “Se os desafios já eram significativos antes da pandemia, o cenário atual exige um esforço redobrado para enfrentar essas questões”, enfatiza o documento.

Além disso, a pesquisa revela que as desigualdades educacionais entre diferentes grupos raciais e socioeconômicos, bem como entre as unidades federativas, permaneceram ou se intensificaram durante o período pós-pandemia. O estudo observa que as disparidades raciais na aprendizagem se tornaram mais pronunciadas em 2023 em comparação com 2013.

Em 2013, a diferença percentual de estudantes do 5º ano com aprendizado adequado em língua portuguesa entre brancos/amarelos e pretos/pardos/indígenas era de 7,9 pontos percentuais, enquanto em matemática essa diferença era de 8,6 pontos percentuais. Em 2023, após os impactos da pandemia, esses números subiram para 8,2 e 9,5 pontos percentuais, respectivamente.

No que diz respeito ao ensino médio, as desigualdades permanecem significativas. A diferença em língua portuguesa entre brancos/amarelos e pretos/pardos/indígenas aumentou de 11,1 pontos percentuais em 2013 para 14 pontos percentuais em 2023. Em matemática, a discrepância passou de 4,4 para 3,9 pontos percentuais no mesmo período.

A data da divulgação deste estudo coincide com a celebração do Dia Mundial da Educação, comemorado anualmente em 28 de abril. Essa data foi estabelecida durante o Fórum Mundial de Educação realizado em Dakar, Senegal, onde participaram representantes de 164 países, incluindo o Brasil, comprometendo-se com o avanço educacional global.

Em parceria com a Todos pela Educação, o Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) disponibilizou informações adicionais sobre a aprendizagem em matemática baseadas no Saeb. Os dados podem ser acessados na plataforma QEdu. De acordo com os resultados mais recentes, apenas 16% dos alunos do 9º ano alcançaram um nível adequado de aprendizado em matemática em 2023; um leve declínio se compara aos índices de 2019 (18%) e de 2021 (15%). No terceiro ano do ensino médio, esse percentual permanece estagnado em 5% desde 2021. As disparidades também são notórias nesse contexto: apenas 8% dos alunos brancos alcançaram aprendizado adequado em matemática comparado a apenas 3% dos alunos pretos.

Além disso, as diferenças socioeconômicas também influenciam os resultados educacionais. No 5º ano do ensino fundamental, por exemplo, 61% dos alunos pertencentes às camadas mais ricas apresentam aprendizado adequado em língua portuguesa; esse número cai para apenas 45% entre os estudantes mais pobres. Em matemática, a diferença é igualmente preocupante: enquanto 52% dos alunos ricos atingem o nível adequado de aprendizado, somente 32% dos alunos mais pobres conseguem o mesmo resultado.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 28/04/2025
  • Fonte: FERVER